
No Dia do Trabalhador, um jornaleiro resiste ao digital em Jaguariúna
Jair Leite, um jornaleiro estabelecido na Rua General Gomes Carneiro, em Jaguariúna, representa a luta pela manutenção do jornal impresso em uma era dominada pela tecnologia. O profissional, que começou a atuar no setor em 1998, luta contra a previsão de que sua banca de jornal se tornará obsoleta em uma década, como destacado por ele após uma leitura no ‘Estadão’.
Mudanças no consumo de mídia
Há mais de dez anos, Jair percebeu uma drástica mudança em seus negócios. Segundo ele, as vendas de revistas e jornais despencaram. “Antes, vendia 40 edições da revista Cláudia por mês; hoje, vendo apenas uma. O mesmo se aplica ao Estadão e à Veja, onde as vendas caíram de 50 para apenas 10, e de 50 para 5, respectivamente”, relata. Para Jair, esse declínio não significa a extinção do hábito de leitura, mas sim uma transição para plataformas digitais.
Relações pessoais e cultura de troca
Dono de uma banca que oferece, além das publicações, figurinhas de coleção, Jair mantém um vínculo pessoal com seus clientes, muitos dos quais o acompanham há anos. Ele contou que, para incentivar as crianças a lerem, oferece pequenas recompensas a elas. “Se fizerem a lição de casa, dou um presente da banca”, destaca. Em períodos como a Copa do Mundo, as figurinhas se tornam uma verdadeira febre, e a banca se transforma em um hub de trocas entre os jovens.

Consequências da pandemia e futuro incerto
O efeito da pandemia de COVID-19 no negócio de Jair não pode ser ignorado. “As pessoas começaram a buscar a comodidade do digital”, observa. Apesar disso, muitos clientes ainda optam pelo impresso, revelando um vínculo forte com a leitura tradicional. Um de seus clientes mais antigos, por exemplo, vem diariamente para ler o jornal com um café, reforçando a importância do contato físico com a informação.
Despedida de um legado
Jair planeja vender sua banca, pois deseja aproveitar a aposentadoria com mais liberdade. Enquanto isso, ele procura um novo proprietário que entenda o valor sentimental do negócio tal como ele. “Ainda temos que lutar por esse legado”, conclui, apresentando não apenas a realidade do jornaleiro, mas também a resistência de uma era que se vai.
Conteúdo baseado em informações publicadas pelo Portal ON.











