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Internacional

Irã fecha Estreito de Ormuz e pressiona mercados globais de petróleo e gás

Seguindo uma antiga ameaça, o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial que normalmente transporta cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. A medida foi uma retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. As preocupações com uma possível crise energética global cresceram entre os mercados de petróleo, e os EUA consideraram a opção de escoltar navios pelo estreito, embora essa logística apresente sérios desafios, conforme demonstrado pelos houthis do Iémen, que já interromperam o tráfego no Mar Vermelho no ano passado.

Dados da ONU destacam que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu 97% desde que a escalada de conflitos começou em 28 de fevereiro. Para entender as razões por trás dessa ação, é necessário analisar a dinâmica geopolítica da região.

Por que o Irã bloqueou o estreito agora?

Historicamente, o Irã alertou sobre a possibilidade de fechar o estreito, com declarações de um comandante da Guarda Revolucionária em 2011 de que tal ato seria "mais fácil do que beber um copo de água". No entanto, as autoridades iranianas frequentemente mantiveram essa opção como uma ameaça estratégica. O ataque liderado pelos EUA e Israel a partir de 28 de fevereiro, que culminou na morte de um líder supremo iraniano, alterou significativamente essa equação. A situação é descrita por autoridades iranianas como uma guerra existencial, na qual a Guarda Revolucionária está assumindo um papel de liderança na estratégia militar.

O que está em jogo?

O Estreito de Ormuz é a única saída marítima para várias nações produtoras de petróleo e gás, incluindo Kuwait, Iraque, Catar e Emirados Árabes Unidos. No dia 9 de março, os preços do petróleo aumentaram, alcançando níveis não vistos desde 2022. Esses preços elevados podem resultar em uma nova crise de custo de vida similar àquela provocada pela invasão da Ucrânia em 2022, segundo a ONU. Além disso, um conflito prolongado pode impactar o fornecimento global de fertilizantes, com aproximadamente 33% desses insumos passando pelo estreito.

Desafios na proteção do estreito

As rotas de navegação possuem apenas duas milhas náuticas de largura, tornando-as vulneráveis a ataques, especialmente considerando a configuração geográfica que proporciona cobertura para forças iranianas. Embora a marinha convencional do Irã tenha sido amplamente destruída, a Guarda Revolucionária mantém várias opções, incluindo embarcações rápidas e drones. O desafio de proteger o estreito envolve escalar a operação para uma cobertura contínua e sustentável, fator que pode ser inviabilizado se a operação se estender por semanas.

O que dizem os EUA e outras nações?

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de proteger petroleiros que navegam pelo estreito, embora os ataques tenham continuado e o tráfego ainda esteja comprometido. A França também está mobilizando força naval para o Mediterrâneo Oriental e pode incluir o Estreito de Ormuz em suas operações, enquanto outros países discutem medidas para garantir segurança na navegação.

Alternativas ao Estreito

Alguns países, como os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estão explorando alternativas ao uso do estreito, como a construção de oleodutos. No entanto, esses projetos ainda não estão operacionais e também enfrentam vulnerabilidades, evidenciadas por um ataque a um oleoduto em 2019.

Para mais informações sobre a situação no Estreito de Ormuz e suas implicações geopolíticas, consulte o artigo original da CNN Brasil.

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