
A base governista expressou forte indignação após declarações dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) realizada em Dallas, Texas, no último sábado (28). Líderes do PT e do PSol criticaram os irmãos, rotulando-os como “traidores da pátria” e “vendilhões”, alegando que suas falas colocam a soberania brasileira em risco ao submeter o país aos interesses dos Estados Unidos.
Oferta Polêmica de Recursos Naturais
Um dos pontos que gerou maior controvérsia foi a proposta de Flávio Bolsonaro de oferecer as reservas brasileiras de terras raras aos EUA, como forma de reduzir a dependência americana da China. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou essa declaração como a mais grave até o momento no contexto das eleições de 2026. Em suas redes sociais, Boulos afirmou que Flávio estaria “oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro a uma potência estrangeira”.
“Flávio Bolsonaro se comprometeu publicamente a entregar as Terras Raras e minerais críticos do Brasil aos EUA se for eleito presidente. Este cidadão está oferecendo as riquezas e o futuro do povo brasileiro”, publicou Boulos, evidenciando a seriedade da situação.
Reações do Governo
Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, também não poupou críticas. Chamou os irmãos Bolsonaro de “vendilhões da pátria” e condenou suas "juras de subserviência" ao ex-presidente Donald Trump, associando-os a um passado repleto de equívocos tanto na pandemia quanto na economia.
“Os vendilhões da pátria não tomam jeito. Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo faziam juras de subserviência a Donald Trump e espalhando mentiras sobre o Brasil”, comentou Hoffmann.
Críticas no Congresso
No Congresso, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) elevou o tom ao rotular Flávio Bolsonaro como “marionete de Trump” e optou por classificar suas colocações como um entreguismo que pode comprometer a autonomia tecnológica do Brasil. Em seu perfil na rede social X, escreveu:
“É o retrato do bolsonarismo: servil, vira-lata, entreguista e sem qualquer compromisso com a soberania brasileira”.
Ameaças à Soberania
A deputada Erika Hilton (PSol-SP) e o deputado Tarcísio Motta (PSol-RJ) também se manifestaram. Hilton destacou a incapacidade da família Bolsonaro de conquistar a adesão popular e chamou a proposta de Flávio de uma tentativa de “invasão ideológica e digital”. Por sua vez, Motta fez uma conexão histórica com a colonização de 1500, alertando que, se eleitos, os Bolsonaro poderiam facilitar a saída de riquezas nacionais para os EUA, caracterizando o que governistas consideram uma ameaça sem precedentes à independência do país.
Diversas reações reforçam o clima de tensão e polarização política no Brasil, especialmente com vistas às próximas eleições. A declaração de Flávio Bolsonaro marca um ponto de inflexão que poderá ter impactos significativos na política nacional e nas relações internacionais do Brasil.



