Indígenas de todo o Brasil desembarcam em Brasília para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre

Indígenas de diversas regiões do Brasil convergem para Brasília para o 22º Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que ocorre no Eixo Cultural Ibero-Americano entre os dias 5 e 11 de abril. O evento, organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), espera reunir entre 7 mil e 8 mil participantes, incluindo indígenas e aliados.
A maior mobilização do movimento indígena no Brasil reúne representantes de muitos dos 391 povos originários, focando na defesa das terras e na denúncia de violações de direitos. Além disso, a agenda também abrange temas como política eleitoral indígena, crise climática e defesa da democracia. O principal objetivo permanece o reconhecimento do direito à terra por parte do Estado brasileiro.
Conforme informado pela Agência Brasil, o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá, comentou: “Estamos aguardando anúncios do governo federal sobre a criação de novas terras indígenas”. Nos últimos quatro anos, de 2019 a 2022, não houve novas homologações, mas entre 2023 e 2025, o governo aprovou 20 novos territórios, somando cerca de 2,5 milhões de hectares de terras protegidas.
“O passivo de demarcação é alto e a violência nas terras indígenas é crescente. Isso motiva nossa presença em Brasília”, destacou Tuxá.
Mobilização Nacional
A 22ª edição do ATL marca o início do Abril Indígena, um mês de mobilização dedicada a chamar atenção para questões como investimentos em saúde e educação. O tema desta edição é “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.
Entre as principais atividades, a primeira marcha está marcada para terça-feira (7), com foco na oposição a propostas de lei que ameaçam os interesses dos povos indígenas, como a liberação da mineração em terras indígenas e a tese do marco temporal. As eleições de 2026 também são um tópico central nas discussões, com mesas sobre a Campanha Indígena para impulsionar candidaturas que defendem os direitos indígenas.
Dinamam Tuxá ressaltou a importância de fortalecer a representação indígena no Congresso Nacional e fomentar candidaturas alinhadas aos interesses dos povos originários.
Conexão e Expectativas
A indígena Cotinha de Sousa Guajajara, da Terra Indígena Morro Branco, percorreu 1,4 mil quilômetros para participar do ATL com outros 67 integrantes de sua etnia. “Viemos cedo devido a rumores que o acampamento não aconteceria. Nossa expectativa é que novas áreas sejam demarcadas e ampliadas no Maranhão, onde estamos vivendo um crescimento populacional em território já homologado”, comentou Cotinha.
Outro participante, Oziel Ticuna, destacou a importância do ATL para a organização conjunta e a construção de soluções para os desafios enfrentados pelos povos indígenas. “Estaremos aqui para lutar pelo nosso povo”, afirmou.



