
No próximo dia 30 de outubro, os acionistas da Raízen (RAIZ4) irão deliberar, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), acerca de um conjunto de medidas incluídas no plano de recuperação extrajudicial da empresa. Entre as propostas, destaca-se a ampliação do limite de capital autorizado para 200 bilhões de ações e a criação de uma nova classe de ações preferenciais. Também está prevista a instituição de “units”, que combinam uma ação ordinária e uma preferencial Classe A.
A opinião do BB Investimentos
De acordo com informações do Estadão, o BB Investimentos, em relatório recente, apontou que as medidas propostas podem diminuir algumas incertezas em relação à execução do plano. No entanto, ainda há dúvidas quanto ao montante que será recuperado pelos credores da companhia. Os analistas ressaltam que o sucesso da recuperação dependerá da capitalização, da alocação das dívidas entre os grupos credores e do desempenho dos ativos após a reestruturação.
Impacto na governança da Raízen
Além das questões financeiras, o plano de recuperação inclui a reformulação da governança da empresa, prevendo a renovação do conselho de administração. Essa mudança é vista como uma estratégia para alinhar a gestão à execução do plano e proteger os novos acionistas que deverão surgir a partir da conversão de créditos em ações.
Para os acionistas atuais, as propostas sinalizam o risco de diluição e perda de influência na companhia. Os analistas do BB Investimentos destacam que, embora enfrente um cenário adverso, as alterações propostas podem ser menos prejudiciais do que uma recuperação judicial tradicional.
Situação financeira da Raízen
Conforme reportado pelo Broadcast Agro, a Raízen decidiu recorrer à recuperação extrajudicial em março deste ano para renegociar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas não operacionais. Os problemas financeiros têm origem em diversos fatores, incluindo as altas taxas de juros que impactaram o custo do endividamento e ciclos de colheita com produtividade inferior.
Movimentação das ações
Às 15h (horário de Brasília), as ações da Raízen (RAIZ4) apresentavam uma alta de 5,41%, cotadas a R$ 0,39. No entanto, mesmo com essa valorização no pregão, os papéis acumulam perdas de 51,25% no ano.
As decisões a serem tomadas na AGE prometem ser cruciais para o futuro financeiro da companhia, uma vez que a recuperação continua incerta diante de um cenário desafiador.









