
A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) denunciou, na última terça-feira (24), que sua foto, junto à da colega Erika Hilton (Psol-SP), foi incluída em um livro de suspeitas da Polícia Civil de Pernambuco. O episódio, noticiado pela Jovem Pan, gerou repercussão nas redes sociais, onde Salabert expressou indignação e afirmou que a situação é uma manifestação de racismo e transfobia institucional.
“Isso é gravíssimo! A identidade de travestis não deve ser utilizada como critério de suspeição”, escreveu a parlamentar em sua conta. A Defensoria Pública de Pernambuco confirmou que, em 8 de abril de 2025, foi instaurado um inquérito policial na Delegacia da Segunda Circunscrição de Boa Vista, em Recife, para investigar um roubo de celular.
Conforme o comunicado da Defensoria, o reconhecimento fotográfico das suspeitas ocorreu 40 dias depois do registro, incluindo seis fotografias, entre as quais estavam as de Duda Salabert e Erika Hilton. A instituição acentuou que a inclusão das imagens no procedimento evidencia a discriminação, pois se baseia em características identitárias de gênero e raça, e não em semelhança com a descrição física da suspeita.
Em uma recente postagem na plataforma X (ex-Twitter), Erika Hilton exigiu explicações da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). Ela criticou a situação e classificou o ato como “incompetência, discriminação e, sim, transfobia”. Hilton pontuou ainda que o uso de reconhecimento fotográfico de maneira irresponsável pode resultar na prisão de pessoas inocentes, enquanto os verdadeiros criminosos permanecem à solta.
Na quarta-feira (25), Raquel Lyra manteve contato telefônico com as deputadas, pedindo desculpas pelo ocorrido. A governadora afirmou em seu perfil no X que determinou uma apuração rigorosa, incluindo a abertura de um processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco foi contatada pela Jovem Pan, mas ainda não respondeu até o fechamento desta matéria. A transparência nesse caso é fundamental, e a desenvoltura das investigações será monitorada pela sociedade.
O incidente lança um alerta sobre a necessidade de revisão das práticas policiais e a adoção de métodos que respeitem os direitos e a identidade de todos os cidadãos. A continuidade dessa discussão é vital para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Fontes: Jovem Pan



