
O estado de São Paulo registrou um aumento alarmante no número de vítimas de feminicídio em janeiro de 2026, com 27 mulheres assassinadas, cinco a mais do que no mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado na última sexta-feira (27).
Detalhes das Ocorrências
Conforme as informações fornecidas pela SSP, em 15 das 27 ocorrências, os autores foram presos em flagrante. No interior do estado, 20 mortes foram contabilizadas, com 12 prisões em flagrante, enquanto as demais vítimas foram assassinadas em São Paulo e na região metropolitana.
Causas e Contexto
A pesquisadora Daiane Bertasso, do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ressalta que o feminicídio não é um crime inesperado, mas sim o resultado de um longo ciclo de violência que muitas vezes permanece ignorado. "O feminicídio se origina de relações familiares e íntimas, após um histórico de violência de várias naturezas. A Lei Maria da Penha cataloga os diversos tipos de violência e evidencia como esse ciclo se intensifica", afirmou ela.
Bertasso também aponta que o machismo e a misoginia na sociedade contribuem para a desconsideração dos sinais de violência antes que o feminicídio ocorra. "É comum que a mulher se sinta intimidada e hesite em compartilhar sua situação com familiares, que frequentemente minimizam o problema", explicou.
Desafios nas Políticas de Proteção
Casos recentes de feminicídio, mesmo envolvendo mulheres com medidas protetivas em vigor, mostram que a proteção não é sempre eficaz. Segundo Bertasso, é urgente a implementação de políticas públicas mais efetivas para que as mulheres se sintam verdadeiramente amparadas.
A Influência da Masculinidade Tóxica
Outro aspecto destacado pela pesquisadora é o impacto da masculinidade tóxica, que fomenta a violência. "Pesquisas têm revelado que redes sociais alimentam ideais machistas e misóginos, formando crianças e jovens sob essas ideologias", alertou. Ela sugere a inclusão de educação sobre relações de gênero nas escolas para combater esses pensamentos prejudiciais.
Dados Nacionais
O Brasil alcançou um recorde trágico em 2025, com 1.518 feminicídios registrados, o que representa uma média de quatro homicídios diários. No estado de São Paulo, o ano passado também foi o mais violento desde o início das estatísticas em 2018, com 270 feminicídios, marcando um aumento de 6,7% em relação a 2024, que teve 253 casos. Os dados completos estão disponíveis no portal da Secretaria da Segurança Pública.
Esse agravamento nos índices de feminicídio ressalta a necessidade urgente de discussão e ações efetivas para enfrentar essa problemática que, infelizmente, se infiltra na sociedade brasileira.











