
O presidente da França, Emmanuel Macron, lamentou o falecimento, referindo-se a ela como “lenda do século” que simbolizava “uma vida de liberdade” e “brilho universal”. A também política Marine Le Pen fez suas homenagens, caracterizando Bardot como “incrivelmente francesa: livre, indomável, inteira”. A notícia da sua morte provocou uma onda de tributos no mundo do entretenimento, incluindo uma declaração de Ingrid Newkirk, da PETA, que a considerou “um anjo dos animais”.
Ascensão meteórica e impacto cultural
Brigitte Bardot nasceu em Paris em 28 de setembro de 1934, em uma família burguesa. Iniciou sua trajetória artística estudando balé e, aos 15 anos, foi descoberta para atuar em capas de revistas como a Elle. Seu primeiro filme foi em 1952, mas o estrelato chegou com E Deus Criou a Mulher (1956), dirigido por Roger Vadim, seu então marido. Com apenas 22 anos, Bardot conquistou o público ao interpretar uma órfã rebelde em Saint-Tropez, apresentando cenas que foram consideradas ousadas para a época, incluindo nudez parcial e uma representação aberta da sexualidade.
O filme, apesar de censurado pelo Vaticano e cortado na França, fez de Bardot um ícone da revolução sexual, sendo altamente celebrado nos EUA e Reino Unido. A filósofa Simone de Beauvoir a elogiou como um símbolo de liberdade feminina. Além de seu impacto no cinema, Bardot também influenciou a moda da época, sendo mencionada nas listas de celebridades mais sexy.
A atriz participou de diversos filmes marcantes, como A Verdade (1960), que recebeu uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e O Desprezo (1963), considerado uma obra-prima de Jean-Luc Godard. Outras produções relevantes incluem Viva Maria! (1965) e o western Shalako (1968), ao lado de Sean Connery.
Vida pessoal turbulenta e saída do cinema
Bardot teve quatro casamentos: com Roger Vadim (1952-1957), Jacques Charrier (1959-1962), Gunter Sachs (1966-1969) e Bernard d’Ormale (1992 até sua morte). Teve um filho, Nicolas, com Charrier e viveu relacionamentos notórios com Jean-Louis Trintignant e Sami Frey. A pressão da fama a levou a várias tentativas de suicídio e a perceber sua vida como “a de animais caçados”, em alusão à perseguição da mídia.
Aos 39 anos, após atuar em cerca de 50 filmes, Bardot aposentou-se em 1973 durante as filmagens de Colinot. “Tudo parecia ridículo, supérfluo, absurdo e inútil”, escreveu em sua autobiografia Initiales B.B. (1996). Desde então, dedicou-se à defesa dos direitos dos animais.
Sua fundação, criada em 1986, se dedicou a causas como a proteção a focas, o combate ao comércio de peles, às touradas e ao maus-tratos em geral. “Dei minha beleza aos homens; darei minha sabedoria aos animais”, afirmou Bardot em diversas ocasiões.
Legado controverso e polêmicas
Nos últimos anos de sua vida, Bardot gerou controvérsias devido a suas opiniões políticas, que muitas vezes eram consideradas de direita. Ela expressou apoio à Frente Nacional e fez críticas à imigração e ao Islã, o que resultou em condenações por incitação ao ódio racial. Em 2018, sua rejeição ao movimento #MeToo chamou atenção, quando declarou que preferia elogios a assédio.
Apesar de sua vida repleta de controvérsias, Bardot deixou um legado inegável na cultura, inspirando movimentos musicais, modas e comportamentos. Sua interpretação de “Je t’aime… moi non plus” com Serge Gainsbourg foi lançada apenas em 1986. Bardot representa uma fase da França que é ao mesmo tempo audaciosa e provocadora, e seu falecimento marca uma perda significativa tanto para o cinema quanto para a causa animal.











