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A controversa implementação da linha de ônibus da Mobi-Rio, que ligaria o Terminal Margaridas em Irajá à cidade de Mesquita, ganhou um novo desdobramento nesta segunda-feira. Conforme reportado pelo O Globo, após a chegada do primeiro ônibus à Praça da Telemar, o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ) autuou dois coletivos, aplicando multas de R$ 4.414,00 a cada um por transporte ilegal. Um dos veículos foi rebocado e, em decorrência da situação, a prefeitura do Rio anunciou a suspensão temporária do serviço.
A tensão entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro se intensifica, especialmente após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), e agora em torno da polêmica do novo serviço de ônibus. Jorge Arraes, secretário municipal de Transportes, esclareceu que a suspensão ocorreu após uma declaração de Raphael Salgado, presidente do Detro, que afirmou que daria voz de prisão a um representante da prefeitura caso mais ônibus fossem autuados.
Acordo entre as partes
Um acordo foi mediado pela Polícia Militar, resultando na suspensão do serviço até que a situação possa ser resolvida. Salgado mencionou que estava disposto a dialogar sobre a possibilidade de uma operação regular, mas destacou que a Mobi-Rio não poderia operar fora do município do Rio, reiterando que a responsabilidade intermunicipal pertence ao Estado.
A linha 77, planejada para operar entre 10h e 16h com quinze coletivos, já havia causado esperança na população da Baixada Fluminense. Arraes, que inicialmente afirmara que o serviço não seria interrompido, reconsiderou após o acordo com o Detro. A prefeitura declarou que irá recorrer das multas, buscando uma solução pacífica.
Críticas e repercussões
O prefeito Eduardo Paes expressou sua insatisfação nas redes sociais, acusando o governador de proteger interesses de empresas de transporte. Ele argumentou que a Mobi-Rio oferecia um serviço a um custo mais baixo e eficiente. Por sua vez, Raphael Salgado replicou as críticas, afirmando que o gesto de rebocar os ônibus era indesejado e que a real vítima da disputa era a população.
Os coletivos rebocados foram levados ao pátio do Detro, enquanto a tentativa de diálogo entre os órgãos parecia não avançar. Salgado mencionou que vários ofícios foram enviados à prefeitura sem resposta, enquanto Arraes contestou a alegação de que havia diálogo regular.
Expectativas da população
Na Praça da Telemar, a movimentação aumentou com a chegada do primeiro ônibus, que foi lacrado logo após a abordagem dos fiscais. Passageiros como Daniel Neves e Amanda Barros expressaram a necessidade de um transporte eficaz na região, ressaltando como o transporte público na Baixada Fluminense carece de melhorias.
Além disso, placas indicativas foram instaladas no local, detalhando o trajeto da linha 77 e um QR Code para rastrear os veículos, evidenciando os esforços da prefeitura para implementar o novo serviço, mesmo frente às dificuldades.
O embate entre as autoridades estaduais e municipais por serviços de transporte continuará a ser um tema relevante na mobilidade urbana do Rio, destacando a necessidade de um diálogo efetivo para atender as necessidades da população.



