
O desembargador Ricardo Couto de Castro declarou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que não se considera apto para exercer o cargo de governador do Rio de Janeiro. Ele assumiu a função interinamente nesta terça-feira, 24, após a renúncia de Cláudio Castro, que se prepara para concorrer a uma vaga no Senado nas eleições de outubro.
Couto de Castro afirmou que existem diferenças significativas entre as funções de um magistrado e um governador. Ele ressaltou que a perspectiva de um presidente de tribunal é mais limitada, enquanto as decisões de um chefe do Executivo requerem agilidade em situações críticas. “Um presidente de tribunal não está preparado para ser o governador do Estado”, comentou, destacando que sua permanência no cargo será temporária, apenas o necessário para uma adequada transição.
Quem é Ricardo Couto de Castro?
Ricardo Couto de Castro, de 61 anos, é presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) desde fevereiro de 2025. Ele começou sua carreira na Defensoria Pública em 1989, e em 1992 ingressou na magistratura também como o primeiro colocado no concurso. Couto de Castro foi juiz auxiliar da Corregedoria entre 2000 e 2002 e, em 2008, assumiu o cargo de desembargador. Antes de se tornar presidente do TJRJ, ocupou posições significativas nas câmaras de Direito Público e Cível da Corte.
Na eleição para a presidência do tribunal, realizada em novembro de 2024, Couto de Castro obteve 116 votos, superando seu concorrente Luiz Zveiter. Curiosamente, ele já havia ocupado a função de governador por uma semana em janeiro de 2026, durante uma viagem de Cláudio Castro.
Contexto Político no RJ
A ascensão de Couto de Castro ao governo estadual resultou de uma série de movimentações políticas iniciadas em maio do ano passado. Naquele período, Cláudio Castro convenceu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a aceitar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o que permitiu a possibilidade de uma eleição indireta. Essa estratégia visava eleger o deputado estadual Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), como “governador tampão” na eventualidade de uma renúncia de Cláudio Castro para concorrer ao Senado.
No entanto, o planejamento foi interrompido em dezembro de 2025, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento de Bacellar, que é suspeito de vazamento de informações sobre operações policiais.
Com Bacellar afastado, o deputado estadual Guilherme Delaroli (PL) assumiu interinamente a presidência da Alerj, mas, como não é o titular, ele não pode assumir o governo caso haja vacância. Assim, a responsabilidade imediata recaiu sobre Couto de Castro.
Perspectivas Futuras
Deputados estaduais buscam formas de encurtar a permanência de Ricardo Couto de Castro no governo, que poderá se estender até a eleição indireta programada para o próximo mês. Há também a possibilidade de Bacellar renunciar ou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidir pela cassação de seu mandato. Nesse cenário, o TSE poderia anular a renúncia de Cláudio Castro, permitindo a realização de uma eleição direta, oportunizada pelo voto popular, para um mandato temporário de apenas alguns meses.
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