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SP

Descobertas em São Paulo revelam antigo espaço de culto afro-brasileiro em escavações

Descobertas arqueológicas na construção da estação 14 Bis-Saracura, parte da linha 6-laranja do metrô de São Paulo, indicam a possível existência de um espaço de culto afro-brasileiro no bairro Bela Vista. Os vestígios foram encontrados a 2,2 metros de profundidade e incluem montinhos de anil e feixes de gravetos, utilizados em rituais de religiões de matriz africana.

As escavações, realizadas em junho pela equipe da A Lasca, contratada pela concessionária Linha Uni, revelaram elementos significativos que estavam abaixo de aterros e estruturas anteriormente removidas. O local é parte do sítio arqueológico Saracura-Vai-Vai, que está sendo mapeado desde 2022 e já atingiu profundidades de até 7,5 metros.

Possível ligação com quilombo histórico

Os achados, que ainda incluem ossos bovinos e suínos, a casca de um ovo de galinha e estruturas metálicas, sugerem uma conexão com um antigo quilombo existente nas margens do córrego Saracura Grande, datado do século 19. Esta área, conhecida como Bixiga, tem uma rica história cultural, sendo local de atividades da escola de samba Vai-Vai por décadas.

Conteúdos simbólicos e rituais identificados

Além dos artefatos encontrados, uma consultora em religiões afro-brasileiras notou que o martelo e o prego chumbados poderiam estar relacionados às divindades Ogum e Exu, indicando que o local funcionava como um espaço de culto. O anil, tradicionalmente usado em rituais de purificação no candomblé, e o feixe de gravetos, possivelmente um “atori”, são evidências importantes desse uso litúrgico.

Medidas emergenciais e continuidade das obras

Devido à previsão de chuvas, os bolsões de anil foram coletados para análise laboratorial, e a área foi isolada conforme o relatório arqueológico. A estação 14 Bis-Saracura é a mais atrasada da linha, com apenas 15% das obras concluídas. Estima-se que a estrutura terá uma profundidade de 38,3 metros.

Posicionamento da concessionária e do Iphan

Em comunicado, a Linha Uni reafirmou seu compromisso em seguir as orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e manter diálogo com as autoridades e a comunidade local. O Iphan, por sua vez, confirmou ter recebido um relatório sobre as descobertas e informou que está em processo de análise.

A documentação apontando para os achados arqueológicos foi submetida ao Iphan em 28 de julho, e o Instituto fará uma avaliação detalhada antes de emitir um parecer oficial.

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