Celso Amorim, chefe da assessoria internacional da Presidência da República, declarou à CNN que a pretensa missão eleitoral de servidores do governo dos Estados Unidos no Brasil representa um “desrespeito à soberania” nacional.
“A presença de funcionários estrangeiros não convidados para avaliar o sistema eleitoral configura uma interferência e desrespeita a nossa soberania”, afirmou Amorim.
Na última sexta-feira (24), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou pedidos de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano que planejavam visitar o país nos próximos dias.
Segundo uma publicação do The Washington Post, o secretário-assistente para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário-assistente, Samuel Samson, teriam planos de questionar a confiabilidade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro.
Ambos os representantes respondem diretamente ao secretário de Estado, Marco Rubio, considerado um forte aliado da família Bolsonaro em Washington.
Fontes governamentais indicam, de forma reservada, que a visita pretendia fortalecer uma campanha de desinformação contra o sistema de votação eletrônico brasileiro, recentemente acentuada por declarações do pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Supremo Tribunal Federal) ouvidos pela CNN Brasil consideraram “ousado” o envio de representantes estrangeiros para questionar a integridade do processo eleitoral brasileiro.
Entretanto, tanto os ministros quanto outros membros do governo ressaltaram que visitas de observadores a eleições são comuns, visando troca de experiências e aprendizado sobre o processo de votação no Brasil.
Edinho Silva, presidente do PT, fez críticas a declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção do PL que confirmou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência no último sábado (25).
Em nota, Silva considerou inadmissível que um chefe de Estado estrangeiro se dirija de forma desrespeitosa aos poderes constituídos do Brasil.
Milei, em um discurso de quase 30 minutos, afirmou que a experiência da Argentina sob governos de esquerda deve servir de aviso para outros países, assegurando que Flávio Bolsonaro “é o único capaz de vencer Lula”.
O presidente argentino chamou Lula de “presidiário” e afirmou que um país vizinho tentara interferir nas eleições argentinas em prol da esquerda, além de acusá-lo de “prender opositores”, sem apresentar evidências.
Milei também fez referência ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, utilizando termos depreciativos ao criticar uma decisão que impediu uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar.
Para Edinho Silva, as declarações de Milei demonstram que ele “não está à altura do cargo que ocupa”, e suas afirmações não foram uma surpresa.
O presidente do PT complementou que o líder argentino deveria se concentrar em solucionar os problemas do seu país, em vez de fazer uso inadequado do tempo e recursos públicos argentinos.
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