
Esse processo de reavaliação, que faz parte do estudo da toponímia, revelou que três ruas na cidade foram nomeadas em homenagem a indivíduos que cometeram atos de violência contra mulheres. A iniciativa é parte de uma campanha organizada por entidades sociais e parlamentares que busca promover justiça simbólica nas ruas paulistanas.
Troca de Nome da Rua Peixoto Gomide
No centro dessas mudanças, destaca-se a rua Peixoto Gomide, que liga os bairros Bela Vista e Jardim Paulista. O nome atual se refere a Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, ex-senador que, em 1906, assassinou sua própria filha, Sophia. O crime, cometido em sua residência, chocou a elite paulistana. Após o assassinato, o político se suicidou com a mesma arma utilizada no crime. Se o projeto for aprovado, a via passará a se chamar Sophia Gomide, relembrando a vítima em vez do autor do crime.
Outros Casos de Homenagens Questionáveis
Outra rua que também se encontra sob revisão é a rua Moacir Piza, situada no bairro Cerqueira César. Nesta via, o nome homenageia um homem que, em 1923, assassinou sua amante, Nenê Romano, antes de cometer suicídio. A repercussão do crime e a tragédia que assolou a vida de Nenê demonstra o machismo ainda presente na narrativa histórica.
Além disso, a rua Alberto Pires, localizada em Pirituba, também deverá ter seu nome modificado. Alberto é conhecido por ter assassinado sua esposa Leonor de Camargo Cabral, em uma disputa familiar. Os atos de violência em cada um desses casos ressaltam a necessidade de uma reavaliação de como homenageamos figuras históricas.
O Processo Legislativo
O projeto de lei, proposto pela vereadora Silvia Ferraro (PSOL) e coautorado por Luna Zarattini (PT), recebeu 33 votos favoráveis e nenhum contrário. Para que a mudança se efetive, o PL precisará passar por uma segunda votação e ser sancionado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Outras alterações nos nomes de ruas que homenageiam feminicidas também estão planejadas, alinhadas à iniciativa “Feminicida não é herói”.
Essas mudanças revelam um esforço por parte da Câmara Municipal e da sociedade civil em valorizar a memória das vítimas e promover uma narrativa mais justa em relação à violência de gênero.











