
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo-MG), publicou no último sábado (25) um novo vídeo de sua série “Os Intocáveis”, onde critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.
O vídeo, produzido com bonecos de fantoche gerados por inteligência artificial, faz alusão à notícia-crime apresentada por Gilmar a Alexandre de Moraes, pedindo a inclusão de Zema no inquérito das fake news. Além disso, menciona o Banco Master.
No vídeo, o fantoche que representa Gilmar afirma: “Ele [Zema] é uma ameaça institucional. Primeiro o povo ri, depois ele entende e depois a gente se ferra, digníssimo”.
O boneco ainda sugere a Moraes: “Você não tem aquele inquérito das fake news aí? Onde você coloca tudo que não te agrada, te irrita ou te contraria emocionalmente?” e recomenda censurar Zema, sugerindo trocar a censura por “fake news”.
Assista ao vídeo (2min42s):
No vídeo, também são feitas menções a laços entre os ministros e o Banco Master, como a referência ao roupão do resort Tayayá, anteriormente pertencente à família de Dias Toffoli, e à declaração do boneco de Moraes a respeito de “129 milhões de problemas”, ligada a um contrato do banco com o escritório de sua esposa.
Além disso, um momento marcante mostra o boneco de Moraes voando em um jatinho com a inscrição do Banco Master, riscada, e substituída por “STF Airlines”, aludindo aos voos que Moraes realizou em aeronaves de Daniel Vorcaro.
Ainda não há confirmação se este episódio será o último da série.
Contexto do Conflito
O embate entre Zema e Gilmar Mendes começou na segunda-feira (20), quando Gilmar enviou uma notícia-crime a Moraes solicitando a investigação de Zema no inquérito das fake news, um pedido fundamentado no segundo episódio da série, veiculado em março.
O pedido do ministro já foi encaminhado para a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em resposta, Zema criticou o STF em um vídeo publicado no X, alegando estar sendo perseguido e declarou: “Aqueles que se julgam intocáveis não toleram mais qualquer tipo de piada.”
Assista ao vídeo (3min43s):
No mesmo dia, durante uma cerimônia em Ouro Preto, Zema pediu “coragem” contra os “intocáveis” da Corte.
Assista ao vídeo (1min56s):
No dia seguinte, Zema afirmou que o STF está “podre”.
Assista ao vídeo (1min46s):
A discussão começou a ter resposta do ministro Gilmar Mendes, que em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, no Jornal da Globo, afirmou que Zema “tenta sapatear aproveitando o momento eleitoral” e destacou a necessidade de responsabilidade na atuação pública.
Em resposta, Zema declarou: “Sabe por que você não entende o que eu falo, Gilmar Mendes? É que o linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília.”
Assista ao vídeo (1min15s):
Na quinta-feira (23), a discussão ganhou um novo capítulo com Gilmar Mendes questionando, em entrevista ao Metrópoles, se era correto fazer piadas sobre questões sérias. Em resposta, Zema afirmou que as observações de Gilmar revelavam o “mais puro preconceito”.
Como resultado, Gilmar Mendes pediu desculpas publicamente. Em sua declaração, reconheceu o erro de ter mencionado homossexualidade ao discutir a crítica ao ex-governador.
Em entrevista ao programa É Notícia, da RedeTV!, Zema expressou esperança de que o Senado averigue seu pedido de impeachment contra Gilmar, alegando que o STF se transformou no “grande causador de conflitos” no Brasil.
“Eu pedi o impeachment do Gilmar Mendes porque julgo que a iniciativa cabe e espero que o Senado venha a ter coragem de apreciar”, afirmou.
O Inquérito das Fake News
O inquérito das fake news foi instaurado pelo STF em 14 de março de 2019, e permanece em tramitação até hoje, sob sigilo. O objetivo do inquérito é investigar ofensas dirigidas à Corte e seus membros, mas gerou controvérsias sobre sua legalidade e constitucionalidade.
A iniciativa foi tomada sem provocação do Ministério Público, sendo criado por decisão unilateral do então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou Alexandre de Moraes como relator.
A legalidade do inquérito foi questionada, mas em junho de 2020, o STF decidiu por 10 votos a 1 mantê-lo, provocando debates sobre suas implicações na separação de poderes e no devido processo legal.
Para mais detalhes sobre o inquérito, confira a reportagem completa.



