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Brasil

Bebês de lares pobres em São Paulo enfrentam atrasos no desenvolvimento motor

Bebês que crescem em lares com condições financeiras desfavoráveis apresentam dificuldades significativas no desenvolvimento motor. Essa conclusão é baseada em um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), publicado na revista científica Acta Psychologica, que analisou a relação entre a motricidade infantil e a situação socioeconômica das famílias. Segundo informações da Agência Brasil, a pesquisa foi divulgada em fevereiro de 2026.

A pesquisa acompanhou 88 bebês no interior de São Paulo e identificou, já aos seis meses, que aqueles em situação de pobreza apresentavam atrasos no desenvolvimento motor em relação aos seus pares mais favorecidos. Os pequenos tiveram dificuldades em executar movimentos simples, como pegar objetos, virar-se e sentar, com uma performance significativamente inferior à dos que viviam em melhores condições.

“Os bebês, aos seis meses, mostraram um repertório motor reduzido”, destaca Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, autora do estudo.

Conforme a pesquisadora, os bebês em situação de vulnerabilidade exibem uma variedade limitada de movimentos, o que pode comprometer seu aprendizado futuramente. Com base em literatura anterior, Caroline afirma que a falta de recursos e a ausência de estímulos adequados podem afetar a performance escolar, acarretando questões como o déficit de atenção e outros distúrbios.

“A falta de estímulo pode gerar consequências sérias, como o TDAH e dificuldades motoras”, avaliou a fisioterapeuta, ressaltando a necessidade de mais pesquisas para estabelecer essa relação de forma conclusiva.

No entanto, a UFSCar identificou que os atrasos motoras podem ser revertidos com intervenções adequadas. Aos oito meses, muitos bebês avaliados já mostravam melhorias significativas, impulsionados principalmente pelo engajamento das mães em exercícios simples, como o “tummy time” (tempo de barriga para baixo) e brinquedos improvisados, como papel amassado. A interação verbal durante essas atividades também se mostrou crucial.

“Conversar com o bebê o ajuda a observar e imitar movimentos. Atividades como brincar com papel de presente ou colocá-los de barriga para baixo promovem a exploração e a mobilidade”, explicou Caroline.

As visitas das pesquisadoras enfatizavam a importância dessa interação e incentivavam a leitura de livros, músicas e conversas com os bebês, fundamentais para seu desenvolvimento motor e cognitivo. Além disso, o estudo ressalta que, em ambientes seguros, os bebês têm mais liberdade para se movimentar e aprender novas habilidades.

Os momentos em que os bebês ficam de bruços sobre uma superfície segura, com supervisão, também são fundamentais para o fortalecimento muscular e aprendizado de movimentos mais complexos, como engatinhar e ficar em pé. O estudo revelou que, em muitas famílias de baixa renda, os bebês passavam muito tempo restritos em carrinhos, com poucas oportunidades de explorar o ambiente, o que estava ligado à falta de espaço.

A presença de múltiplos adultos na residência foi identificada como um fator que, em vez de favorecer o bebê, podia gerar um ambiente mais caótico e menos propício para o desenvolvimento motor.

A dualidade na educação é ressaltada, onde a presença de mais adultos, especialmente com maior escolaridade, tende a proporcionar um suporte melhor.

Além disso, o uso de brinquedos que estimulem a motricidade fina é essencial, mesmo aqueles que podem ser feitos em casa, como chocalhos. A pesquisa destaca que cerca de 400 milhões de crianças em todo o mundo vivem em situação de pobreza, enfrentando severas privações que comprometem sua saúde e desenvolvimento, conforme o relatório “Situação Mundial das Crianças 2025″, divulgado pelo UNICEF.

As conclusões do estudo da UFSCar evidenciam a necessidade de intervenções educativas e de saúde para apoiar mães e bebês em situação de vulnerabilidade, de modo a melhorar suas condições de desenvolvimento motor e, consequentemente, suas oportunidades futuras.

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