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Economia

Banco Central decreta liquidação do Will Bank e afeta clientes e investimentos

O Banco Central (BC) anunciou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., uma instituição sob a controle do Banco Master, que também foi liquidado. A Will Financeira estava operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde que sua liquidação foi decretada em novembro de 2025. A divulgação oficial ocorreu nesta quarta-feira (21).

Conforme informado pelo BC, a medida inclui a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores da Will Financeira, que era parte do conglomerado Master.

O Banco Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN). A decisão de instaurar o RAET foi feita na época da liquidação do Banco Master, levando em consideração a possibilidade de uma solução que pudesse manter o funcionamento da Will Financeira.

Processo de liquidação

Entretanto, o BC avaliou que as tentativas de sustentar a operação da Will Financeira não foram frutíferas. No dia 19 de janeiro, foi constatado que a instituição havia descumprido a grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos, resultando no bloqueio da sua participação.

Face a isso, a autoridade monetária considerou necessária a liquidação extrajudicial da Will Financeira, devido à sua situação econômico-financeira comprometida e à insolvência, além do controle exercido pelo Banco Master.

Confira mais sobre a liquidação no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

Aspectos da operação

O Banco Master, sob a liderança do banqueiro Daniel Vorcaro, teve um crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com taxas de rentabilidade muito acima da média do mercado. No entanto, essa estratégia levou ao aumento de riscos excessivos e à manipulação de operações, o que afetou a liquidez real necessária para ressarcir os investidores.

Relatórios da Polícia Federal e do BC indicam que o colapso do Banco Master foi financeiro e institucional. A relação com a gestora Reag Investimentos, tentativas de venda ao Banco de Brasília (BRB) e intervenções de órgãos de controle complicaram ainda mais a situação, impactando investidores e a credibilidade do setor.

Entre 2023 e 2024, o Banco Master é acusado de ter desviado cerca de R$ 11,5 bilhões através de operações trianguladas. O banco teria emprestado fundos a empresas de fachada, que posteriormente investiam esses recursos em fundos da Reag Investimentos.

Os fundos, por sua vez, adquiriam ativos sem valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflacionados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag com patrimônio total de R$ 102,4 bilhões, que operavam em um ciclo vicioso de movimentação de dinheiro até serem finalmente alocados aos beneficiários.

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