
O documentário “Amora”, dirigido por Ana Petta, captura de maneira poderosa as mudanças drásticas pelas quais passa a cidade de São Paulo. A produção retrata a luta de Ana e de sua família na Vila Mariana, onde viveram em um conjunto de casas centenárias, contra a crescente verticalização da região.
O filme, lançado em 2025, surgiu em um contexto crítico. No último dia 13, ao mesmo tempo em que o Brasil fazia sua estreia na Copa do Mundo contra Marrocos, ocorreram demolições de imóveis na área, realizadas sem a devida autorização da prefeitura. O órgão responsável, Conpresp, alegou que o alvará de demolição havia caducado, mas os moradores informaram que ainda havia possibilidade de recurso.
Transformações na Vila Mariana
A Vila Mariana, que abriga cerca de 130 mil moradores, está passando por um intenso processo de transformação. Segundo reportagens do Secovi, foram lançados 4.748 novos apartamentos entre junho de 2025 e maio deste ano. Como resultado, a valorização da região disparou, com o preço do metro quadrado atingindo R$ 14.759, um aumento de 23% em relação à média da capital, de acordo com o índice FipeZap.
Comparando a Vila Mariana com distritos de características semelhantes, os números se mostram ainda mais impressionantes. Durante o mesmo período, Pinheiros teve 2.785 lançamentos, Perdizes 617 e Moema 3.020.
Os Projetos Imobiliários
Empreendimentos de grandes construtoras como SKR, Vitacon, Trisul, Even e Helbor estão em desenvolvimento na região, que conta com três linhas de metrô e várias opções culturais, incluindo unidades do Sesc e a Cinemateca. Entre os projetos da SKR, destaca-se o Casa Ibirapuera, em parceria com a Cyrela, com vista para o parque Ibirapuera e diversas opções de lazer. Segundo Rodrigo Putinato, CEO da SKR, o empreendimento já foi totalmente vendido, enquanto o Leaf, na rua Loefgren, ainda possui 25% de suas unidades disponíveis.
A Vitacon aposta na região com mais de 2.500 unidades, com um valor geral de vendas de R$ 1,3 bilhão. Para João Henrique Firmino, diretor de Marketing da Vitacon, os novos produtos são voltados principalmente para millennials, priorizando a mobilidade e a vida comunitária. A empresa mantém parcerias com universidades como FGV e Insper para adaptar seus projetos às demandas contemporâneas, incluindo melhorias na acústica dos apartamentos e digitalização de serviços.
Desafios e Oportunidades
De acordo com o Mapa da Desigualdade produzido pela Rede Nossa São Paulo, a Vila Mariana se destaca por seus bons índices em saúde e transporte, além da longevidade dos moradores, com uma média de 79 anos ao falecer, posicionando o distrito entre os cinco melhores nesse aspecto na cidade.
Estas transformações, tanto sociais quanto arquitetônicas, refletem a complexidade do desenvolvimento urbano em São Paulo, onde a luta pela preservação do patrimônio histórico se contrapõe ao avanço do mercado imobiliário.
Para mais detalhes sobre as mudanças na Vila Mariana e a produção de “Amora”, consulte o site da Folha de São Paulo.











