
Esse leilão ocorre após uma sequência de licitações que não conseguiram atrair competidores ou que foram totalmente desertas ao longo do ano. Em julho, por exemplo, o Ceará recebeu apenas uma proposta em sua Parceria Público-Privada (PPP) para serviços de esgoto, que disponibilizou cinco lotes. Da mesma forma, um leilão para PPP na Paraíba em maio teve apenas um lance, enquanto um processo em Goiás foi cancelado devido à falta de interessados.
A modelagem da concessão em Rondônia proporciona maior atratividade, pois trata-se de uma concessão plena, ao contrário das concessões parciais, onde o fornecimento de água permanece sob responsabilidade do poder concedente. Segundo o consultor José Braga, ex-CEO de subsidiárias da Aegea, as inseguranças relacionadas a outros modelos têm desencorajado a participação das empresas. “Estamos vivenciando um momento em que as grandes empresas do setor estão mais seletivas e buscam projetos que ofereçam melhor retorno”, destaca Braga.
A inclusão da capital Porto Velho no pacote de municípios é uma vantagem para o leilão, já que a ausência de cidades maiores em outras licitações diminuiu o interesse dos investidores, levando em consideração a complexidade e os riscos associados a esses projetos.
Braga prevê um número reduzido de participantes, mas ainda otimista, acredita que o evento pode atrair de dois a três investidores. Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon, também compartilha essa visão, projetando um cenário sem grandes aglomerações de concorrentes.
A expectativa é ampliada pela estratégia da Aegea, que já atua em cinco municípios de Rondônia e possui um histórico de participação em 36 de 66 leilões desde 2019. Entretanto, sua recente ausência na privatização da Copasa e uma capitalização de entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões levanta questões sobre sua capacidade de participar do leilão de Rondônia.
Após este leilão, o foco do setor deve se deslocar para os leilões do programa Universaliza São Paulo e a PPP do Rio Grande do Norte, bem como uma nova licitação da PPP em Goiás, conforme mencionou Gusmão. A cautela no mercado persiste, mas ele acredita que o leilão de Rondônia poderá influenciar futuras modelagens em função das novas dinâmicas do setor.
As próximas rodadas de leilões deverão envolver cada vez mais municípios de menor porte, o que pode afetar a atratividade. O programa Universaliza São Paulo, por exemplo, já sugere que as concessionárias terão acesso à receita tarifária com subsídio do governo estadual, o que pode potencialmente alterar a dinâmica do financiamento e viabilidade de projetos como as PPPs no Ceará e em Goiás, conforme analisa Braga.
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