
O Ministério Público de São Paulo anexou a um inquérito civil existente uma representação que solicita a investigação de possíveis ligações entre concessionárias responsáveis por cemitérios municipais, o Banco Master e a omissão da Prefeitura na fiscalização desses contratos. A informação é do portal Brasil 247.
Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a investigação ganhou novo fôlego após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar indícios de interferência do Banco Master na gestão dos serviços funerários na capital paulista. O ministro solicitou explicações detalhadas ao prefeito Ricardo Nunes.
A concessionária Cortel SP, que assumiu a administração de parte dos cemitérios públicos após a privatização do serviço funerário em 2023, está no centro das suspeitas. A SP Regula verificou que Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, fez parte do conselho e do quadro societário da Cortel.
Empréstimos e Relações Questionáveis
A empresa Maya também é mencionada nas investigações, ao ter contraído empréstimos substanciais junto ao Banco Master. A Prefeitura de São Paulo investiga se as concessionárias atuaram em conjunto, o que é negado pelas empresas envolvidas.
O promotor Silvio Antonio Marques, responsável pelo despacho, destacou que há semelhança entre a representação feita por parlamentares do PSOL e o inquérito civil para investigar irregularidades na concessão dos cemitérios municipais. A notificação foi protocolada pela deputada federal Luciene Cavalcante, deputado estadual Carlos Giannazi e vereador Celso Giannazi.
Indícios de Ligação Entre Cortel e Banco Master
De acordo com o Ministério Público, existem “indícios de possível vínculo” entre a Cortel e o Banco Master. Entre os elementos levados em consideração estão a relação familiar entre membros das empresas e o uso de endereços eletrônicos vinculados ao banco na assinatura de documentos da concessionária.
Além das ações no Ministério Público, Luciene Cavalcante requisitou ao STF, ao ministro André Mendonça, a inclusão de Ricardo Nunes no inquérito que investiga o Banco Master. A petição, segundo sua alegação, sustenta a existência de uma “conexão” entre o banco, a Cortel e a prefeitura, que é responsável pela concessão e fiscalização dos serviços funerários de São Paulo.
Na petição, a deputada pede que a Procuradoria-Geral da República examine a atuação da prefeitura e de Ricardo Nunes, investigando a ciência dos fatos e as providências adotadas em relação à fiscalização dos contratos.
Reações da Prefeitura de São Paulo
Em resposta às alegações, a gestão de Ricardo Nunes afirmou lamentar a “ação puramente ideológica” da deputada Luciene Cavalcante, ressaltando a ausência de provas e a natureza especulativa das alegações. A administração também criticou a decisão do promotor Silvio Antonio Marques, considerando-a uma tentativa de criar mais um “factoide” típico da atuação do Ministério Público.
Assim, a situação atual envolve duas frentes de investigação: uma no Ministério Público de São Paulo relacionada à concessão dos cemitérios e outra no STF, que examina o papel do Banco Master. Ambas tratam das suspeitas sobre a influência da instituição financeira nos serviços funerários de São Paulo e a fiscalização realizada pela prefeitura.











