
04/05/2026 14:17:00
Unemat Lança Iniciativa para Preservar Línguas Indígenas em Mato Grosso
A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) iniciou um projeto inovador focado na preservação das línguas indígenas Kithãuhlu e Negarotê, localizadas em Comodoro, a 110 km de Vilhena, na divisa com Rondônia. Denominado “Oficinas Pedagógicas de Estudo das Línguas Kithãuhlu e Negarotê”, o projeto se estenderá até outubro de 2026 e visa contrabalançar a pressão do ensino em língua portuguesa, garantindo a continuidade do patrimônio linguístico dos povos originários.
Metodologia Colaborativa e Inclusiva
Coordenado pela Dra. Mônica Cidele da Cruz, o projeto incorpora uma metodologia colaborativa, envolvendo diretamente os membros das comunidades indígenas. A equipe conta com 32 integrantes, incluindo estudantes das aldeias Negarotê e Branca, que têm a oportunidade de atuar como protagonistas do processo de pesquisa.
A Importância da Linguística na Identidade Cultural
Essa integração entre ciência e ancestralidade permite que o projeto respeite as diversas nuances culturais dos povos, utilizando a linguística como uma ferramenta para promover a emancipação social e fortalecer a identidade étnica. As oficinas pedagogas abrangem três etapas principais, começando com estudos fonéticos e fonológicos que visam estabelecer um alfabeto padronizado.
Processo de Ensino Inovador
Após a fase de identificação dos sons, será realizada uma análise morfossintática para compreender a estrutura das frases e as classes de palavras. O conhecimento adquirido será compilado em um livro didático bilíngue, direcionado à alfabetização e ensino nas aldeias.
Impacto Social e Educacional
Além de beneficiar diretamente as comunidades em Comodoro, a proposta é parte de uma política institucional voltada para a inclusão social. A Unemat destina 5% de suas vagas de graduação para estudantes indígenas, assegurando que o conhecimento gerado na universidade retorne às comunidades.
Pioneirismo em Educação Intercultural
Essa iniciativa reafirma o compromisso da Unemat com a educação intercultural, uma referência internacional desde 2001. A universidade já implementou marcos significativos, como a Faculdade Indígena Intercultural e o curso de Enfermagem Intercultural Indígena, o primeiro do mundo, lançado em 2023.
Segundo os pesquisadores do projeto, o material didático funcionará como um escudo contra a erosão cultural, viabilizando a integração de saberes indígenas com a base comum nacional, sem abrir mão das raízes linguísticas de cada povo.
Fonte: HNT
Autor: Da redação










