
Benício foi admitido no hospital com sintomas leves de tosse, mas recebeu o medicamento de forma intravenosa, desrespeitando os protocolos médicos que recomendam a inalação para esse tipo de situação. A investigação aponta que, enquanto a condição do menino se deteriorava, Juliana Brasil trocava mensagens e organizava pagamentos via Pix com seus clientes. O delegado Marcelo Martins destacou a gravidade da situação, afirmando que “é como se ela não estivesse ali com um paciente lutando pela vida”.
As mensagens de WhatsApp analisadas no inquérito confirmam a negligência da médica, ocorrendo durante o período em que Benício apresentava reações graves à superdosagem. A mãe da criança, Joyce Xavier, manifestou sua indignação, afirmando: “Enquanto meu filho precisava de ajuda, ela estava ao celular vendendo cosméticos, ignorando tudo o que estava acontecendo”.
Além de sua conduta imprudente, a investigação revelou que Juliana Brasil tentou fraudar o processo, apresentando um vídeo falso que alegava um erro no sistema do hospital, versão que foi rechaçada por perícia técnica. A apuração ainda indicou que a médica atuava como pediatra sem a devida especialização e oferece dinheiro a testemunhas para que sustentassem sua defesa.
O advogado Sérgio Figueiredo, que representa a defesa da médica, contestou as acusações, argumentando que o sistema do hospital enfrentava falhas e que, no momento crítico da intubação, Benício já não estava sob os cuidados diretos de Juliana. “Ela já não estava sob o domínio daquela criança. Ela seguiu o plantão normalmente”, declarou o advogado.
N mesmo com as alegações da defesa, Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, falsidade ideológica e fraude processual. Outros profissionais envolvidos na situação, incluindo uma técnica de enfermagem e os diretores do hospital, também enfrentam indiciamentos por falhas estruturais, e o caso poderá ser levado a júri popular.



