
Em meio à crescente pressão dos Estados Unidos, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reafirmou o compromisso do seu governo com o diálogo, ao mesmo tempo em que se preparara para o "pior cenário" em defesa da soberania da ilha. A declaração foi feita durante uma entrevista ao político espanhol Pablo Iglesias, em Havana, e foi publicada nas redes sociais do ex-líder na segunda-feira (23).
Díaz-Canel, que recebeu Iglesias na companhia de outros líderes políticos e ativistas de esquerda, destacou sua disposição em "dar a vida pela revolução". Ele enfatizou em suas palavras: “Não queremos guerra, queremos diálogo. Queremos chegar ao ponto de neutralidade ideal, mas, se não for possível, estamos prontos para enfrentar a situação.”
A declaração surgiu em resposta a um comentário do cantor cubano Silvio Rodríguez, que, em seu blog “Segunda Cita”, havia pedido um fuzil AKM para se defender em caso de ataque. O governo cubano, em uma demonstração de apoio, presenteou Rodríguez com um fuzil AKM e uma réplica, reconhecendo sua “disposição patriótica” em defender o país.
Rodríguez, conhecido por sua trajetória de ativismo político, embora crítico das políticas econômicas do governo, reafirmou seu compromisso com a defesa da ilha nesta ocasião. Durante a entrevista, Díaz-Canel também fez acusações contundentes aos Estados Unidos, atribuindo os problemas estruturais de Cuba às políticas adversas de longa data e afirmando que "todas as misérias" foram combatidas desde a Revolução de 1959.
Atualmente, a crise em Cuba é aprofundada pela escassez de petróleo, após a interrupção do fornecimento da Venezuela, o principal aliado energético do país. Além disso, medidas tomadas pelos EUA, incluindo a imposição de tarifas sobre países que comercializam petróleo com Cuba, agravaram ainda mais a situação. Isso resultou em apagões severos, que afetaram diversas localidades da ilha, incluindo a capital, Havana.
Os cidadãos cubanos enfrentam dificuldades significativas, com interrupções nos serviços públicos e no transporte regular de alimentos. Apesar da situação crítica, o governo garante estar buscando soluções para o descontentamento popular, que, em alguns casos, se manifestou por meio de protestos incomuns, como bater panelas e acender fogueiras.
Díaz-Canel também mencionou a preparação da população para o que ele considera um possível ataque militar dos Estados Unidos, buscando uma forma de "defesa popular" que engaje cada cubano na proteção da soberania nacional. O vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, corroborou esta preocupação em uma entrevista recente à NBC News.
As informações foram extraídas de um artigo de Patrick Oppman, Max Saltman, Anabella González e Mauricio Torres, publicado pela CNN Español em 23 de março de 2026.











