
Os cidadãos russos têm enfrentado um aumento significativo nos preços, refletindo as dificuldades econômicas provocadas pela guerra na Ucrânia. De acordo com informações publicadas pela BBC News Russian, muitos residentes de Moscou, como Alexander, um publicitário, relataram um aumento de mais de 22% no orçamento mensal para alimentação em apenas um mês, passando de 35 mil rublos (R$ 2,3 mil) para 43 mil rublos (R$ 2,9 mil).
O preço de itens essenciais como ovos, frango e legumes subiu drasticamente, e até mesmo um café diário que custava 230 rublos agora chega a 290 rublos, um aumento de 26%.
A pressão inflacionária tem por trás a combinação de um orçamento federal que prioriza o esforço de guerra e as sanções ocidentais em resposta à invasão da Ucrânia. Embora a inflação tenha passado despercebida em grandes cidades, como Moscou e São Petersburgo, os salários não acompanham os altos preços, impactando diretamente o poder de compra das famílias russas e intensificando a crise econômica.
Aumento nos Custos da Cesta Básica
Dados do órgão de estatísticas russo Rosstat indicam que, em janeiro de 2026, os preços dos supermercados subiram 2,3% em menos de um mês. Uma cesta básica, composta por 59 produtos essenciais, revelou que o custo passou de 7.358 rublos (R$ 502) em 2024 para 8.724 rublos (R$ 596) em janeiro de 2026, um aumento de 18,6%.
Como consequência do aumento nos preços, os cidadãos estão mudando seus hábitos alimentares. Por exemplo, Nadezhda, uma aposentada de 68 anos, relata que não pode mais comprar carne bovina e recorre a peixes mais baratos. Seus gastos com alimentação consomem a totalidade da sua aposentadoria de 32 mil rublos.
Impacto da Aumento do Imposto sobre o Valor Agregado
Além disso, desde 1º de janeiro de 2026, houve um aumento de 2% no imposto sobre o valor agregado, que agora é de 22%. O governo alegou que a medida é essencial para financiar a “defesa e segurança” do país. Isso tem gerado uma preocupação crescente entre os consumidores, que devem lidar com preços ainda mais altos, em um cenário econômico bastante desafiador.
Com as dificuldades financeiras, muitos russos estão adotando uma abordagem mais prática na hora de fazer compras, priorizando produtos com mais proteína e procurando descontos. Isso acentua a percepção de que a economia, embora ainda não esteja em colapso, pode estar a caminho de uma estagnação.
Conforme analisado por economistas, a queda nas cotações do petróleo e a reputação da Rússia como um país com riscos altos para investimento podem levar à dificuldade em obter empréstimos e a um possível déficit orçamentário ainda maior. Isso implica que o governo pode ser forçado a adotar medidas impopulares, como aumentar impostos ou cortar gastos públicos, que afetariam negativamente as famílias.
Os russos estão começando a sentir com mais intensidade os efeitos da inflação e a situação econômica do país se torna cada vez mais incerta. As dificuldades no acesso a bens essenciais e a necessidade de priorizar despesas básicas tornam o panorama desafiante para a população.



