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Agronegócio

EUA atacam Venezuela e geram incertezas no mercado de petróleo

A recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, gerou uma resposta imediata no mercado internacional de petróleo. Após uma fase inicial marcada por alta volatilidade, os preços se estabilizaram, refletindo um ambiente de oferta robusta. De acordo com Gustavo Vasquez, gerente de petróleo e GLP da Argus, o aumento das tensões geopolíticas contribuiu para a sustentação das cotações, mas a ampla disponibilidade no mercado global limitou reações mais acentuadas.

Embora o episódio tenha elevado a percepção de risco no setor, os impactos não foram tão drásticos como inicialmente esperado. As incertezas em torno da produção e das exportações venezuelanas ganharam destaque, especialmente com a resistência de fornecedores a oferecer petróleo do país.

Reação dos preços e percepção do mercado

A escalada das tensões antes do ataque manteve os preços do petróleo em patamares elevados. Após a captura de Maduro, a reação do mercado foi mais moderada, condicionada pela robustez da oferta global que absorve choques geopolíticos sem grandes flutuações.

Vasquez afirma que essa dinâmica demonstra um mercado bem abastecido, capaz de lidar com perturbações pontuais.

Exportações sob risco e cautela dos agentes

As incertezas em torno das exportações venezuelanas já eram perceptíveis antes do ataque. Fornecedores começaram a restringir ofertas de petróleo Merey, especialmente para entregas próximas, após a apreensão de navios americanos em dezembro. Além disso, o mercado já ajustava suas expectativas para possíveis interrupções a partir do primeiro trimestre de 2026.

Cortes prolongados nas exportações focariam principalmente no petróleo pesado, onde a Venezuela possui forte presença.

Papel limitado da Venezuela no mercado global

Apesar de sua relevância regional, a Venezuela não está totalmente integrada ao mercado internacional devido a sanções americanas. Atualmente, a maioria de suas exportações é absorvida por refinarias independentes da China, que processam cerca de 430 mil barris por dia, representando menos de 20% de sua capacidade total.

Os Estados Unidos ainda figuram como um importante destino, importando cerca de 120 mil barris diários, com a Chevron como única empresa autorizada a atuar nesse mercado.

Limites da produção e gargalos estruturais

A Argus indica que não existem perspectivas viáveis para um incremento imediato na produção venezuelana, que em novembro foi de aproximadamente 934 mil barris por dia, abaixo dos níveis pré-sanções. Para retomar uma produção mais elevada, seriam necessários investimentos substanciais e uma transformação significativa no cenário político e regulatório.

A reconstrução da infraestrutura petrolífera representa um desafio prolongado, que requer anos de investimento e esforço, uma vez que as refinarias estão deterioradas após anos de negligência, apagões e exíguo quadro de profissionais qualificados.

Fretes mantêm estabilidade na América Latina

O ataque teve impacto limitado no mercado de fretes, com exportações venezuelanas ainda sendo realizadas por navios pertencentes à “frota sombra”. As taxas de afretamento de navios na América Latina se mantiveram estáveis, com a rota Brasil-China apresentando os menores preços dos últimos cinco meses.

China sente impacto político, mas não vê escassez

A resposta da China à captura de Maduro foi de indignação, considerando seus investimentos no setor de petróleo venezuelano, que incluem dívidas em torno de US$ 12 bilhões. No entanto, Vasquez afirma que não há risco de escassez global de petróleo.

O foco está no fornecimento do petróleo Merey-16, crucial para a produção de betume na província de Shandong. Possíveis interrupções poderiam impactar a produção de betume a partir de março, mas a China possui alternativas que mitigam os riscos de pressões sobre os preços internacionais do petróleo.

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