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MPF investiga filhos de vereadora que recebem Bolsa Família com renda incompatível e empregos.

Um caso de irregularidade no recebimento do Bolsa Família por filhos da vereadora Damiana Coelho de Lacerda, conhecida como “Bia do Assentamento” (União Brasil), tem gerado intensa discussão nas redes sociais em Presidente Médici. As investigações preliminares indicam que os filhos da vereadora tenham recebido, entre 2024 e 2025, mais de R$ 20 mil do benefício, mesmo apresentando condições de renda que não atendem aos requisitos do programa.

A situação veio à tona após o cruzamento de dados disponíveis em portais públicos, que revelaram que Maria Eduarda Cavalcante de Araújo recebeu parcelas mensais de R$ 750 durante a maior parte de 2024 e também teve seu nome associado ao programa em 2025. A questão torna-se ainda mais complexa, uma vez que Maria Eduarda é casada com Wasingnthan Rodrigo Tomazini, um médico que atua na saúde pública e que, segundo registros, possui um vínculo ativo e uma remuneração que, em teoria, deveria ser considerada na avaliação da renda familiar para o benefício assistencial.

Além disso, durante o período em que recebeu o Bolsa Família, Maria Eduarda também ocupou um cargo formal na cooperativa Cresol, em Presidente Médici, recebendo salários simultaneamente ao benefício. A situação do irmão, José Renato Cavalcante de Araújo, também é preocupante, uma vez que ele recebeu R$ 600 mensais do programa entre janeiro e agosto de 2025. O assunto ganhou destaque devido a um vídeo que circulou em grupos de WhatsApp, que trazia evidências das denúncias, incluindo suas atividades laborais e registros nas redes sociais.

Na sua página do Facebook, José Renato compartilha conteúdo que indica seu trabalho em uma madeireira local, o que, se não declarado no Cadastro Único, configura uma irregularidade no recebimento do benefício, dado que o programa exige que a renda do beneficiário esteja devidamente reportada.

Vereadora se pronuncia

Em meio à controvérsia, Damiana Coelho usou a tribuna da Câmara Municipal em 3 de novembro para se defender. A vereadora afirmou que seus filhos teriam direito ao benefício e negou que tenham recebido quaisquer valores em 2025. Ela alegou que “vergonha não é precisar de um programa social” e esclareceu que José Renato fez a inscrição no Bolsa Família após um acidente que o incapacitou temporariamente para o trabalho, assegurando que o benefício foi desvinculado posteriormente.

Sobre Maria Eduarda, a vereadora defendeu que o recebimento ocorreu em uma fase de desemprego, afirmando que o programa avalia apenas a renda informada sistema, além de alegar que os filhos não estão atualmente recebendo a assistência e que eventuais bloqueios poderiam resultar de questões administrativas externas.

Reação de Maria Eduarda

A filha da vereadora também se manifestou, publicando um vídeo em que se descreve como “pessoa física independente” e pede para não ser associada à condição de filha da vereadora. Entretanto, ela não aborda diretamente as irregularidades apontadas pelos dados do Portal da Transparência.

Investigação em andamento

Os registros oficiais ainda confirmam que Maria Eduarda e José Renato receberam o Bolsa Família durante os períodos mencionados, levantando dúvidas sobre a veracidade das declarações feitas pela vereadora. O Ministério Público Federal (MPF) informou que já está em curso um procedimento para investigar os fatos e possíveis responsabilidades. O espaço permanece disponível para novos esclarecimentos por parte da vereadora e sua família.

*Com informações do Rondônia Agora.

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