
A gestão pública em Porto Velho enfrenta denúncias de uso indevido de recursos e promoção política antecipada, envolvendo o “supersecretário” Paulo Moraes, irmão do prefeito Léo Moraes. Um vídeo divulgado por Moraes contém informações que contradizem a realidade sobre a gestão esportiva do município, a qual tem sido alvo de críticas por sua falta de efetividade.
No material, Moraes afirma que não existia um calendário esportivo na administração anterior, uma declaração que carece de veracidade. Na verdade, a atual administração foi responsável por um esvaziamento das atividades esportivas, restando apenas o evento pontual chamado Madeirão, que não se qualifica como uma política pública consistente.
A gestão abandonou programas e projetos que tinham previsão legal, resultando no desaparecimento de competições estabelecidas como o Interdistrital de Esportes e o Circuito Beach. Além disso, a base esportiva, essencial para o desenvolvimento de atletas e para manter crianças e adolescentes ocupados, foi drasticamente desmantelada.
Moraes também declara que a gestão atual democratizou a participação de atletas nos Jogos Intermunicipais de Rondônia (JIR). Contudo, foi a administração anterior que implementou a Copa Interclubes, um modelo que assegurava que os campeões eram os verdadeiros representantes da capital nos jogos estaduais, seguindo um critério técnico e meritocrático.
O programa Talentos do Futuro, uma referência nas iniciativas de esporte de base, teve seu nome alterado, porém a mudança não foi acompanhada por ações concretas. As competições para crianças foram extintas e, em 2025, a secretaria não conseguiu sequer fornecer bolas para a prática esportiva.
Na gestão anterior, mais de 2.300 crianças recebiam apoio, incluindo uniformes, chuteiras e equipamento esportivo, além de manutenção regular nas instalações. Essa estrutura não é mais visível atualmente.
A ex-secretária municipal de Esporte, Ivonete Gomes, critica a atual gestão, afirmando que os problemas decorrem da falta de entrega e afirma: “Teria sido fácil apagar a história da gestão anterior: era só ampliar o que deixamos planejado.” Ela destaca que a percepção sobre o estado do esporte na cidade é clara entre os servidores da secretaria, que se sentiam valorizados na gestão anterior.
A utilização da estrutura pública para favorecer narrativas políticas antecipa um cenário eleitoral para 2026, gerando preocupações sobre a veracidade das informações e comprometendo a integridade do processo eleitoral. A efetividade da gestão pública exige planejamento, execução e respeito à realidade, elementos que, até o momento, têm sido questionados na administração atual.
*Com informações do Rondônia Agora.











