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Ciência

Descoberta de supernova de dupla detonação revela segredos do cosmos

Por séculos, os restos de uma estrela destruída pairaram no espaço, refletindo uma história de transformação e aniquilação. Recentemente, cientistas que utilizam o telescópio Very Large Telescope (VLT), localizado no Chile, fizeram uma descoberta surpreendente: o que se acreditava ser uma simples explosão estelar é, na verdade, uma supernova do tipo Ia que passou por um fenômeno raríssimo, conhecido como “dupla detonação”. Essa revelação foi publicada na revista Nature Astronomy em 2 de julho.

Os restos dessa supernova, designados como SNR 0509-67.5, estão situados na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia vizinha. A nova pesquisa revela que, ao contrário do que se imaginava, a estrela não colapsou em um único evento explosivo. Em vez disso, ela experimentou duas explosões distintas antes de se dissipar completamente. Esse fenômeno pode ser considerado a primeira evidência visual desse tipo raro de supernova.

As supernovas do tipo Ia são criadas a partir de anãs brancas – estrelas densas que restam após a vida de estrelas similares ao Sol. Elas normalmente entram em explosão após acumular uma quantidade significativa de matéria de uma estrela companheira, atingindo um limite crítico conhecido como a “massa de Chandrasekhar”. No entanto, os pesquisadores descobriram que, neste caso, a detonação ocorreu antes que essa massa fosse atingida.

Um dos pontos-chave da pesquisa é que a anã branca se envolveu com uma camada externa de hélio, oriunda de uma estrela vizinha. A explosão dessa camada externa provocou um novo desencadeamento, resultando em uma segunda explosão no núcleo da estrela. Essa sequência de eventos deixou marcas no espaço na forma de duas conchas de cálcio, visualmente distintas, que se espalham pela nebulosa e confirmam a ocorrência dessa rara morte estelar.

Essas supernovas do tipo Ia têm sido fundamentais para medir distâncias no universo, uma vez que elas alcançam sempre o mesmo nível de brilho. Essa característica permitiu aos cientistas detectar a aceleração da expansão do cosmos, um achado que rendeu o prêmio Nobel de Física em 2011.

A nova descoberta não apenas adiciona uma nova dimensão à compreensão das supernovas, mas também proporciona uma validação visual a teorias que até agora eram suportadas apenas por evidências indiretas.

Esta descoberta inovadora representa um passo importante na astronomia moderna, abrindo novas possibilidades para a pesquisa e compreensão das dinâmicas cósmicas.

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