
Segundo informações publicadas pelo ifronteira.com, a Fundação Florestal, que faz parte da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), informa que atualmente, a unidade possui 7.720 hectares, abrangendo os municípios de Dracena, Ouro Verde (SP), Piquerobi (SP) e Presidente Venceslau (SP). O parque abriga áreas úmidas importantes ligadas ao Rio do Peixe e remanescentes de vegetação nativa.
Com a ampliação de 5,4% em sua área, a Fundação Florestal ressalta que essa mudança fortalecerá a proteção dos ecossistemas e da biodiversidade regional, aumentando a área sujeita ao regime de proteção integral.
“O processo segue os procedimentos previstos na legislação aplicável às Unidades de Conservação. Após a realização da audiência pública, a proposta seguirá para as etapas de análise e formalização necessárias até a eventual oficialização da ampliação dos limites do parque”, declarou a Fundação Florestal.
A proposta de ampliação foi abordada em audiência pública na Câmara Municipal de Dracena, realizada no dia 22 de setembro.
A doação da Fazenda São Lourenço
Antonio Brito de Carvalho e Silva, advogado ambiental e membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comdema) de Dracena, que apoiou o projeto, explicou ao ifronteira.com que a doação da Fazenda São Lourenço visa compensar a Reserva Legal em outro imóvel rural na margem oposta do rio. A proposta anterior foi criada por seu pai, Sebastião Netto de Carvalho e Silva, que faleceu recentemente, e Antonio deu continuidade ao trabalho.
Carvalho e Silva esclareceu que, embora existam alternativas para a regularização da Reserva Legal, a opção escolhida é a que traz mais benefícios ambientais à região, embora seja um processo mais complexo. O proprietário da fazenda, José Luiz Sammarco Palma, optou pela doação para contribuir com a extensão do parque.
“Essa alternativa, embora onerosa, busca promover a preservação, a educação ambiental e deixar um legado para as futuras gerações”, destacou o advogado.
Historicamente, parte da área doada era usada para cultivo de cana-de-açúcar, mas cerca de 70% já possui vegetação nativa consolidada, e desde a interrupção da atividade agrícola, a área passou por um processo de recuperação natural.
“Vemos a ampliação do Parque do Rio do Peixe como uma forma de garantir que as futuras gerações possam usufruir desse patrimônio natural e se tornarem multiplicadoras na defesa do meio ambiente”, afirmou Carvalho e Silva.
Conservação da biodiversidade
Djalma Weffort, presidente da Associação em Defesa do Rio Paraná e Mata Ciliar (Apoena), comentou sobre a ampliação ao ifronteira.com, ressaltando a importância de assegurar a conservação da biodiversidade, que inclui várias espécies como o cervo-do-pantanal, que só existe em vida livre no Oeste Paulista.
“Além do cervo-do-pantanal, encontramos outros animais essenciais para o equilíbrio do ecossistema que se beneficiarão com as novas áreas protegidas”, disse ele.
Weffort também destacou que a ampliação fará com que o Parque Estadual do Rio do Peixe proporcione uma maior arrecadação de ICMS Ambiental para os municípios onde está localizado.
“A ampliação atrairá interesse de pesquisadores e possibilitará novas oportunidades de visitação e educação ambiental. Embora a Apoena celebre essa iniciativa, é primordial continuar ampliando a proteção das áreas verdes na região”, concluiu.
Impacto econômico e turístico
Juliano Guiro, presidente da Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (Amnap) e prefeito de Tupi Paulista (SP), elogiou a ampliação do Parque do Rio do Peixe, referindo-se à sua importância ambiental e ao potencial turístico que isso pode trazer.
“Proteger o parque não apenas mantém a biodiversidade, mas também pode aumentar o turismo, beneficiar o comércio local e criar empregos. É fundamental unir preservação ambiental e desenvolvimento sustentável na região”, acrescentou.
Daniel Pagnozzi, presidente do Sindicato Rural de Dracena, reconheceu a importância da proteção ambiental mas pediu que o processo de ampliação seja conduzido com responsabilidade.
“É essencial ouvir proprietários e comunidades locais, além de apresentar com clareza os impactos da ampliação, como mudanças na atividade produtiva e questões de acesso”, destacou.
Pagnozzi ressaltou que é crucial que os impactos e benefícios da ampliação sejam discutidos em aberto, para que a opinião da comunidade local seja ouvida e respeitada.












