
O Governo de Rondônia, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), desenvolveu o Plano Operacional Integrado de Contingência Climática em Saúde, com o intuito de mitigar os impactos que eventos climáticos, como o novo ciclo do fenômeno El Niño previsto para 2026-2027, possam ter sobre a saúde da população. Segundo informações publicadas pelo site Rondônia Agora, o documento organiza antecipadamente as ações necessárias que devem ser adotadas pela rede estadual de saúde.
Entre as motivações para a criação desse plano estão os dados alarmantes de 2024, quando o estado registrou a menor cota do Rio Madeira, um aumento significativo nas queimadas e, consequentemente, uma elevação superior a 100% nos atendimentos médicos para crianças com problemas respiratórios. Esses fatores levam as autoridades a prever recursos e estratégias para enfrentar as condições climáticas que vêm por aí.
Conforme os dados de monitoramento citados no plano, existe uma probabilidade entre 97% e 100% de que o El Niño persista até 2027. Em junho deste ano, a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, elevou o nível de alerta do fenômeno de “observação” para “aviso”. As previsões para Rondônia indicam chuvas abaixo da média nas regiões noroeste e central, o que historicamente tem contribuído para períodos de seca, aumento das queimadas e deterioração da qualidade do ar.
Entre os pontos considerados estratégicos para a implementação do plano, destaca-se a criação de uma cadeia logística resiliente, que deve garantir o abastecimento contínuo de medicamentos, a manutenção da rede de frio para imunobiológicos, e a distribuição de hemocomponentes. O plano também reconhece a importância da logística fluvial para atender comunidades isoladas, que frequentemente enfrentam desafios significativos de deslocamento durante períodos de seca.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é vista como a principal estrutura de resposta, funcionando como a porta de entrada e coordenadora do cuidado em territórios afetados. O plano enfatiza também a necessidade de atenção especial às populações mais vulneráveis, incluindo indígenas, ribeirinhos e quilombolas, que historicamente sofrem maior dificuldade no acesso aos serviços de saúde.
De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, a criação do plano é um passo importante para reforçar a estratégia de prevenção em saúde no estado. “Estamos empenhados em trabalhar cada vez mais com a prevenção e o cuidado com a população”, afirmou.
O planejamento também se justifica pela experiência vivenciada em anos anteriores. Em 2024, por exemplo, 18 municípios de Rondônia tiveram suas situações de emergência reconhecidas pelo Governo Federal. No entanto, em 2025, a coordenação mais eficaz resultou em uma notável redução de 91,4% nos focos de calor, destacando o estado como um dos que mais progrediu nessa área.
Atualmente, o plano já foi elaborado e está em fase de validação com os municípios de Rondônia. A previsão é de que o documento seja submetido à Comissão Intergestores Bipartite (CIB) para aprovação ainda este ano. A criação desse planejamento específico coloca Rondônia entre os oito estados brasileiros que já possuem iniciativas estruturadas para enfrentar os desafios das mudanças climáticas na saúde.
Curta nossa página no Facebook
Acompanhe as principais notícias de Rondônia em tempo real.










