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Internacional

Ex-presidente do Equador Lenín Moreno é condenado a 5 anos de prisão por corrupção

A Justiça do Equador impôs uma sentença de cinco anos de prisão ao ex-presidente Lenín Moreno, devido à aceitação de subornos da empresa chinesa Sinohydro durante a construção da usina hidrelétrica Coca Codo Sinclair. A decisão foi divulgada na sexta-feira, 28 de agosto de 2026.

Moreno, que tem 73 anos e enfrenta limitações de mobilidade, cumprirá a pena em regime domiciliar. Juntamente com ele, sua esposa, Rocio Gonzalez Navas, uma filha e um cunhado também foram condenados. Rocio e a filha do ex-presidente receberam penas de dois anos e meio. Todos os condenados devem devolver três vezes o valor recebido de forma ilegal, com prazo de até 90 dias para cumprir esta determinação.

As investigações da promotoria indicam que uma rede de corrupção esteve ativa entre 2008 e 2018, oferecendo propinas de até 4% do montante do projeto da hidrelétrica a diversos políticos, por meio de operações internas e externas ao Equador.

Usina Coca Codo Sinclair.

Contexto da Obra e Custos Elevados

A construção da usina Coca Codo Sinclair, iniciada em 2010 e concluída em 2016, teve um custo estimado em US$ 2 bilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 10,39 bilhões. Desde sua inauguração, o projeto tem sido alvo de críticas devido a problemas técnicos.

O caso em questão remonta ao período em que Moreno foi vice-presidente no governo de Rafael Correa, que governou o país entre 2007 e 2017. Após assumir a presidência em 2017, Moreno continuou no cargo até 2021.

Moreno, que ganho visibilidade política como vice de Correa, se destacou no movimento conhecido como correísmo. Com a atual condenação, ele se torna o terceiro ex-presidente do Equador a ser sentenciado por corrupção, ao lado de Jamil Mahuad e Rafael Correa.

Ruptura com o Correísmo

Ao ser eleito em 2017 como a continuidade do projeto de Correa, Moreno inicialmente prometeu preservar os avanços do governo anterior. No entanto, rapidamente se afastou dos aliados históricos, aproximando-se de setores empresariais e do governo dos Estados Unidos. Sua gestão adotou políticas econômicas de austeridade, firmou um acordo com o FMI e reverteu diversas políticas implementadas anteriormente.

Este desvio de rota foi interpretado por muitos no espectro da esquerda latino-americana como uma traição ao mandato popular recebido, considerando que Moreno se apresentou como sucessor de Correa e depois governou em uma direção oposta aos compromissos firmados durante a campanha.

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