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Eleições

Distribuidora decide adiar lançamento de ‘Dark Horse’ para após as eleições de 2026

A distribuidora Europa Filmes anunciou que o lançamento da cinebiografia “Dark Horse,” que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, será realizado apenas após as eleições de 2026. A decisão foi informada pelo diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, que citou uma experiência negativa com o lançamento do filme “Lula, o Filho do Brasil” durante um ano eleitoral como um dos fatores para postergar a estreia. A antecipação do lançamento estava prevista para setembro, próximo ao primeiro turno, mas estratégias comerciais distintas agora direcionam a estreia para um momento posterior.

Feitosa explicou que sua experiência anterior influenciou a escolha de adiar o lançamento. “Não é estratégico lançar antes. Quero fazer o meu trabalho e, se possível, bem feito”, declarou ao O Globo. Ele também destacou que a comunicação sobre a produção do filme se dá exclusivamente com a Go Up Entertainment, a produtora responsável, e não envolve diretamente Flávio Bolsonaro, candidato do PL à presidência.

A decisão da Europa Filmes de atrasar o lançamento coincide com uma avaliação de assessores de Flávio Bolsonaro, que consideram que a estréia do filme durante a campanha eleitoral poderia ressurgir questionamentos sobre o financiamento da obra. Mensagens divulgadas anteriormente indicam que o senador pediu apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para cobrir os custos da produção, com um valor estimado em ao menos R$ 61 milhões. Aliados do ex-presidente Lula utilizam o tema para pressionar Flávio Bolsonaro e desgastar sua candidatura.

Nos bastidores da campanha, a situação contrapõe as expectativas iniciais de que “Dark Horse” poderia reforçar a presença de Jair Bolsonaro no debate eleitoral e conquistar votos para o candidato do PL. Hoje, no entanto, a estratégia se tornou cautelosa, principalmente após a exposição das fontes de financiamento do filme, que estão sob investigação. A Polícia Federal está apurando se recursos associados ao projeto foram utilizados para despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, mas ainda não há conclusões definidas sobre a questão.

Embora a distribuição do filme esteja adiada, a Europa Filmes ainda precisa concluir algumas etapas burocráticas antes do lançamento. O projeto possui o Registro de Obra Estrangeira (ROE) concedido pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas carece do Certificado de Registro de Título (CRT), imprescindível para a exploração comercial no Brasil. Feitosa assegurou que não há atrasos nesse processo e que a solicitação do CRT será feita somente após a definição da estratégia de lançamento.

Controvérsias sobre o financiamento do longa-metragem surgiram em maio, após revelações do site “The Intercept Brasil.” Mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, então proprietário do Banco Master, revelaram que pelo menos R$ 134 milhões foram negociados para o projeto, com R$ 61 milhões efetivamente repassados. Os recursos levantados envolveram transações por uma empresa vinculada a Vorcaro e pelo fundo Havengate, sediado no Texas.

O caso recentemente retornou às manchetes quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar provas de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que toca na Go Up Entertainment. A produtora apresentou uma perícia privada, que, segundo a defesa, indicou um gasto de aproximadamente R$ 75,2 milhões com “Dark Horse”, sem identificar o uso de recursos públicos ou relacionados a emendas parlamentares.

Apesar das promessas de Flávio Bolsonaro em fornecer uma prestação de contas completa e a divulgação do contrato de financiamento, a documentação ainda não foi disponibilizada publicamente pela produtora. Ao ser questionado sobre o assunto nesta semana, Flávio tratou o tema como encerrado, reafirmando que os recursos envolvidos são de natureza privada e redirecionou questionamentos à administração do governo Lula.

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