Banco Central anunciou na quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., conhecida como Will Bank, que é controlada pelo Banco Master. A medida foi tomada em meio a uma crise interna na instituição financeira.
A Will Bank, que atende cerca de 12 milhões de clientes com produtos como cartões de crédito, empréstimos e investimentos, reportou um volume de movimentação de R$ 7,5 bilhões no último ano e conta com aproximadamente 1.100 funcionários.
Na véspera da liquidação, a Mastercard havia suspendido o uso dos cartões vinculados ao Will Bank. A partir de agora, todos os cartões emitidos pela instituição serão cancelados e não poderão ser utilizados.
Os investidores do Will Bank estarão protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura os valores aplicados até R$ 250 mil, semelhante ao esquema que beneficiou os clientes do Banco Master após a sua liquidação.
A liquidação pode resultar em um resgate de até R$ 6,5 bilhões pelo FGC, que cobre os depósitos de clientes até o limite mencionado. No entanto, ainda não há uma estimativa precisa do valor que o fundo precisará desembolsar, pois o ressarcimento é limitado ao teto por CPF ou CNPJ.
O site da Will Bank afirma que todos os investimentos estão protegidos pelo FGC e tranquiliza os clientes sobre possíveis oscilações no mercado financeiro, garantindo que não enfrentarão perdas. No entanto, especialistas, como Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimento, alertam sobre a possibilidade de atrasos no ressarcimento, sugerindo cautela ao confiar exclusivamente no fundo.
O FGC já enfrenta um grande desafio com o caso do Banco Master, prevendo um desembolso de R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil investidores. Essa situação eleva a preocupação geral sobre a sustentabilidade do fundo.
Com a liquidação, o FGC protege somente os depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Paulo Feldmann, professor da FIA Business School, explica a situação para clientes que possuem investimentos superiores a esse limite.
Os especialistas apontam que a liquidação do Banco Master tornou o FGC mais vulnerável, sendo um aspecto a ser considerado ao realizar novos investimentos.
“A liquidação do Banco Master deve consumir 40% do FGC, tornando o fundo um pouco mais frágil. É essencial analisar o risco antes de aplicar em prazos mais longos”, destaca o especialista.
Costa enfatiza a importância de entender os objetivos de investimento, definir a liquidez necessária e avaliar os riscos envolvidos, alertando que muitos investidores iniciantes se apoiam apenas nas garantias do FGC, que, embora existam, não são infalíveis.
A Will Financeira S.A. se destacava por direcionar seus serviços ao desenvolvimento das classes econômicas C, D e E. A situação atual gera preocupações, especialmente para clientes de baixa renda que podem ter investimentos superiores a R$ 250 mil, o que não é coberto pelo FGC.
Feldmann observa que “a poupança de toda uma família pode estar envolvida”, alertando sobre possíveis atrasos nos reembolsos do FGC. Ele ressalta que a situação é complicada, com o Banco Central lidando agora com mais de um caso em aberto que afetará o mesmo fundo na compensação aos investidores.
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