...
SP

Violência contra enfermeiros em SP cresce e expõe crise no atendimento hospitalar

A violência contra profissionais da enfermagem no estado de São Paulo atinge níveis alarmantes, com uma pesquisa recente indicando que sete em cada dez enfermeiros, técnicos e auxiliares relataram agressões em seu ambiente de trabalho. O estudo, realizado pelo Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem), contabilizou 4.402 relatos de profissionais no período de 20 a 24 de julho, revelando que 72,6% dessas vítimas sofreram agressões, sendo 41,3% delas mais de uma vez.

Conforme reportado pela Folha de S.Paulo, a pesquisa mostra um leve recuo em comparação a um levantamento anterior de maio de 2025, que apontou 80,3% de profissionais afetados. A expectativa do conselho, após várias campanhas de prevenção, era que os números caíssem de forma mais significativa.

Violência no Ambiente de Trabalho

Histórias como a da enfermeira Vanessa Scarcella, 44, exemplificam esse cenário. Após ser agredida em um hospital público por um paciente insatisfeito, Vanessa relata: “Ele me segurou pelo crachá e me jogou no chão”. Em outro episódio em hospital privado, ela foi atacada por um colega de profissão. “As câmeras desapareceram no momento da agressão e ninguém investigou”, afirma.

Na audiência pública realizada na Câmara Municipal de São Paulo, o assunto foi uma das pautas principais, com a apresentação de um projeto de lei pela vereadora Ana Carolina Oliveira (Podemos). O projeto visa obrigar as unidades de saúde, tanto públicas quanto privadas, a desenvolver políticas de prevenção e acolhimento para profissionais da enfermagem.

Medições Propostas para a Proteção do Profissional

O texto inclui medidas como controle de acesso às instalações, aparelhos de pânico, e assistência médica e psicológica com preservação de salários em casos de agressão. Adicionalmente, o Senado aprovou um projeto que aumenta as penas para crimes contra profissionais da saúde, com possíveis acréscimos de pena de até dois terços.

Como destaca Wagner Albino Batista, enfermeiro com 25 anos de experiência, as agressões muitas vezes decorrem da insatisfação dos pacientes com a demora no atendimento. “O paciente não recebe o cuidado imediato e acaba descarregando sua frustração no profissional.” Essa dinâmica explica a predominância de agressões em instituições públicas, conforme indicado no levantamento do Coren-SP.

Desafios Estruturais e o Medo de Denunciar

Além da violência física, as agressões verbais e discriminatórias também são frequentes. O estudo revela que 89,2% das denúncias são de violência verbal, enquanto agressões físicas correspondem a 19,2%. Pour os profissionais, a sensação de impunidade e a falta de apoio institucional são barreiras à formalização de denúncias.

Sérgio Cleto, presidente do Coren-SP, aponta que a impunidade amedronta os trabalhadores: “O ambiente de trabalho não impõe pressão para que as denúncias sejam formalizadas”, avalia. Cerca de 65,2% das vítimas afirmam que suas queixas não resultaram em nenhuma ação, e apenas 5,7% relataram punições aos agressores.

Acionamento dos Mechanismos de Apoio

Para enfrentar essa crise, o Coren-SP lançou um canal para denúncias via aplicativo e site, acionando conselheiros capacitados para oferecer suporte psicológico. Cleto ressalta que a diminuição da equipe, após uma agressão, agrava ainda mais a qualidade do atendimento aos pacientes.

O Coren também tem trabalhado na formação de protocolos de segurança aplicáveis em diferentes contextos municipais, buscando soluções adaptadas às realidades de cada região do estado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios