Na fábrica da Panini, localizada no centro empresarial Tamboré, em Barueri, a produção do álbum da Copa do Mundo ocorre em um ambiente de sigilo. Uma semana antes do lançamento do produto, a imprensa foi autorizada a visitar as instalações, mas mesmo diante da maquinaria e das figurinhas, informações sobre o conteúdo do álbum permaneciam escassas.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o CEO da Panini no Brasil, Raul Vallecillo, preferiu manter o mistério sobre os jogadores que figurariam nas seleções. “Prefiro que, quando o álbum estiver no mercado, você mesmo descubra quais são os jogadores que vão estar em cada seleção”, declarou Vallecillo.
No chão de fábrica, as funcionárias trabalhavam em um ritmo acelerado para separar e embalar as figurinhas, embora o mistério sobre a seleção brasileira ainda persistisse. No entanto, a presença do jogador Neymar, uma das principais dúvidas, foi confirmada na versão espanhola do álbum, que já estava à venda na Europa.
A Panini enfatizou que a decisão sobre quais seleções estariam representadas no álbum não é uma escolha editorial, mas depende da FIFA. “Enquanto a FIFA mantiver o Irã no grupo de seleções que vão ao Mundial, ele estará no álbum”, afirmou Vallecillo. A participação do Irã, contudo, foi colocada em dúvida por autoridades do país, em meio a tensões geopolíticas com os Estados Unidos, que também será anfitrião do torneio.
A edição de 2026 traz um desafio adicional, sendo a primeira com 48 seleções. Isso resulta em um aumento significativo no número de figurinhas e páginas a serem produzidas, o que exigiu uma adaptação na produção. Cada pacote agora contém sete figurinhas por R$ 7, em comparação com quatro figurinhas por R$ 5 na edição anterior.
Além disso, a Panini teve que aguardar a definição das últimas seleções através de repescagem no início de abril, o que deixou um intervalo reduzido para produção. “Desde a última seleção se classificou até o momento em que precisamos estar no mercado, temos um prazo muito, muito curto”, enfatizou Vallecillo. A venda do álbum terá início em 1º de maio, com um evento de lançamento previsto para o dia 25 do mesmo mês no Estádio do Pacaembu.
Para definir elencos, a Panini utilizou modelos de probabilidade, baseando-se em estudos sobre quais jogadores têm mais chances de serem convocados. “A seleção de jogadores de cada equipe é definida pela nossa área esportiva”, explicou Vallecillo. No entanto, ele também reconheceu que a empresa não está isenta de erros. Mudanças de última hora, como lesões, podem impactar a lista final de convocados.
“Isso acontece em todas as Copas. Há jogadores que, embora estejam na lista inicial, podem ficar fora por uma lesão ou outro motivo. É aí que lançamos um conjunto de figurinhas que corrige essas mudanças”, finalizou o CEO.
Essa abordagem da Panini em lidar com incertezas e probabilidades destaca o nível de complexidade envolvido na produção do álbum, em um ambiente onde cada detalhe é crucial para o sucesso da edição.
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