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SP

O crime dos Matsunaga ressurge com documentário e filme sobre tragédia no Roma

Na icônica fachada do edifício Roma, localizado na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, não há qualquer indicação do nome do condomínio. Diferente dos demais prédios da área, sua porta de entrada exibe apenas o número da construção, uma medida tomada após um dos crimes mais notórios do Brasil. Em maio de 2012, Elize Matsunaga foi condenada por assassinar e esquartejar seu marido, o empresário Marcos Matsunaga, em sua cobertura.

Conforme reportado pela Folha de S.Paulo, o crime gerou uma onda de cobertura midiática, com repórteres e policiais lotando a entrada do edifício logo após o ocorrido. Desde então, a fachada do condomínio foi reformada, já previsto anteriormente, mas que também visava criar uma nova vibe para os moradores após a tragédia.

O condomínio, que abriga duas torres chamadas Roma e Remo, retirou a nomenclatura original da fachada. Moradores afirmam que essa alteração se deveu à notoriedade do crime. Omar Anauate, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), destacou que a remoção do nome de um prédio é algo incomum, mas é perfeitamente viável legalmente. Segundo ele, a abordagem requer consentimento dos moradores em assembleia.

A Lello Condomínios, gestora do edifício, se negou a comentar sobre o assunto. A Ryco Engenharia, que cuidou da reforma, não respondeu aos questionamentos da reportagem, assim como a síndica atual, que não havia se manifestado até o fechamento.

A despeito da ausência do nome na fachada, o edifício Roma ainda é amplamente reconhecido por sua história entre os moradores da região. Um taxista, Alexandre Pereira, comentou que rapidamente aprendeu sobre o passado trágico do local e que o crime de Matsunaga é frequentemente mencionado quando moradores solicitam corridas.

Discussões sobre o caso continuam entre os moradores durante as reuniões de condomínio, incluindo a condição da cobertura que pertencera à família Matsunaga, que permanece desocupada desde 2012. Recentemente, surgiram questionamentos sobre a contribuição dos atuais proprietários para a reforma, com Paola, uma moradora anônima, informando que não houve inadimplência.

Venda e Valorização do Imóvel

A venda de imóveis onde ocorreram crimes, como o de Matsunaga, é uma tarefa desafiadora. José Augusto Viana Neto, presidente do Creci-SP, afirmou que esses imóveis tendem a ter seu valor de mercado reduzido. Além disso, corretores são obrigados a informar sobre a ocorrência de crimes relevantes durante as negociações.

Atualmente, os apartamentos no prédio estão sendo oferecidos a valores que não ficam abaixo de R$ 1,1 milhão. Paola, que comprou seu apartamento há uma década, garantiu que o assassinato não impactou no preço do imóvel que adquiriu.

Ela compartilhou que, ao se mudar, recebeu questionamentos sobre sua coragem de residir em um edifício com um passado tão sombrio. Para ela, o trauma do crime não a impediu de viver no condomínio, embora admitisse que talvez tivesse dificuldades em ocupar a cobertura onde tudo aconteceu.

Reflexões Sobre Violência

A tragédia de Matsunaga se tornou uma lenda urbana local. Moradores compartilham sua preocupação com a violência cotidiana, lembrando de um feminicídio que ocorreu nas proximidades em agosto de 2023. Jussara Burguz Tonon, 46, foi assassinada a tiros pelo ex-marido, em um evento que chocou a comunidade devido à sua brutalidade.

A comunicadora Melissa Castagnari, que reside nas imediações, e Paola relembraram o impacto do feminicídio, que reverberou na comunidade muito mais intensamente do que o caso Matsunaga, em parte devido à sua exposição midiática. O crime de 2012 se tornou um tema recorrente em livros e documentários, além de inspirar um filme da Netflix intitulado “Elize: Sombras de Uma Mulher”, que estreará em breve.

Elize Matsunaga foi condenada em 2016 e, após passagens pela Justiça, obteve a liberdade condicional em 2022, continuando a ser uma figura polêmica e lembrada, tanto pela sociedade quanto pelos moradores do edifício Roma.

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