Moradores da comunidade Nossa Senhora das Virtudes 2, localizada no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, relatam o surgimento de novas fissuras em imóveis danificados pela explosão resultante de um vazamento de gás, ocorrido em 11 de maio. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo.
Imagens registradas pelos próprios residentes mostram rachaduras em paredes, pisos e estruturas, algumas se estendendo por diferentes cômodos, sinalizando a gravidade dos danos.
Eduardo Santos Vieira, 57, líder comunitário local, afirmou que as condições estruturais têm se deteriorado desde a explosão, apesar das primeiras avaliações realizadas na área. “As fissuras estão crescendo e isso preocupa não apenas a comunidade, mas também o poder público”, declarou Vieira.
Desde o acidente, o número de imóveis interditados aumentou. Inicialmente, 57 casas estavam isoladas, mas as estimativas atuais apontam que esse total pode ter chegado a 68.
Famílias ainda vivem em meio a entulhos e móveis danificados, com receio de permanecer em seus quartos devido ao agravamento das trincas. Além disso, relatos de odor de gás têm sido feitos em áreas adjacentes ao local da explosão.
A Defesa Civil de São Paulo, por sua vez, informou que está prestando atendimento às famílias afetadas desde o incidente. Em nota, a Defesa Civil orientou os moradores a relatarem qualquer agravamento nas condições de seus imóveis para novas vistorias.
O caso está sendo investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que instaurou um inquérito civil para apurar as circunstâncias da explosão. Estão sendo analisadas as responsabilidades das concessionárias Sabesp e Comgás, além das medidas tomadas pelo poder público para assistirem as famílias afetadas. Documentos como ordens de serviço e projetos técnicos foram solicitados para essa investigação.
Vieira levantou questões sobre a atuação dos funcionários da empresa terceirizada envolvida na obra, que estavam presentes durante as atividades de sondagem de solo, acompanhadas pela Polícia Científica.
Moradores também contestam a alegação de que foram avisados com antecedência sobre o vazamento de gás. Segundo Eduardo, o alerta foi dado apenas minutos antes da explosão, com orientações para saírem de casa rapidamente.
Nesta quarta-feira (20), engenheiros do IPT, Subprefeitura da Lapa e Defesa Civil realizarão novas inspeções nos imóveis afetados. Até agora, 65 famílias que viviam em moradias coletivas foram mapeadas e podem não ter condições adequadas de reforma.
Em resposta à situação, o Governo de São Paulo já encaminhou 18 dessas famílias para conhecer apartamentos mobiliados no Empreendimento Reserva Raposo, com dez delas já aceitando a mudança para os imóveis da CDHU.
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