Os pedidos de desculpas do atacante Kylian Mbappé, do Real Madrid, podem não ser suficientes para mitigar os danos à sua imagem na China, conforme analisado por especialistas em comunicação e esportes. A polêmica se intensificou após a divulgação de um vídeo em que Mbappé faz uma piada sobre Mao Tsé-tung, antigo líder da China. Essa declaração desencadeou uma onda de críticas nas redes sociais, rompimentos de contratos publicitários e a suspensão das transmissões da LaLiga pela televisão estatal do país.
No vídeo, Mbappé se refere a um meme onde seu rosto é sobreposto ao de uma figura que ele acredita ser “um ditador chinês”. A menção a Mao, ainda reverenciado como herói da revolução comunista e fundador da República Popular, é considerada um tabu no país. Apesar do pedido de desculpas de Mbappé e do Real Madrid, marcas chinesas já cortaram relações comerciais com o jogador, e a emissora estatal CCTV suspendeu as exibições do campeonato espanhol.
A China é um mercado crucial para o futebol global, sendo a segunda maior economia do mundo. Em menos de 48 horas, tanto o jogador quanto o clube se pronunciaram publicamente sobre o incidente. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o governo avaliou “com seriedade” os pedidos de desculpas de Mbappé.
O comentarista Yan Qiang alertou que a situação pode ter repercussões significativas para a imagem da LaLiga e do Real Madrid na China. “Esse incidente é muito prejudicial e, apesar das desculpas, não significa que o tema está encerrado,” declarou. Ele observa que a era da internet amplifica rapidamente as emoções, e o impacto do ocorrido pode ser de longo prazo.
A situação não é inédita. Outros atletas e ligas, como a NBA, já enfrentaram problemas similares ao fazerem comentários considerados politicamente sensíveis. Em 2019, o campeonato de basquete teve suas transmissões suspensas na China devido a uma declaração feita por um executivo da liga em apoio a protestos em Hong Kong.
A crise atual pode afetar financeiramente a LaLiga. Fontes indicam que a China e os Estados Unidos representam a maior parte dos direitos internacionais de transmissão, avaliados em 748 milhões de euros (cerca de 834 milhões de dólares) para a temporada 2024-2025. O jornal Marca revelou que cerca de 10% a 15% das vendas de camisas do Real Madrid ocorrem na China, além de importantes patrocinadores chineses como a Hisense, Kaiyun Sports e Linglong Tire.
Adam Zhang, consultor de esportes em Pequim, enfatizou a importância de ações rápidas e sinceras para reduzir os danos. Ele sugere que a forma como Mbappé e o Real Madrid lidarem com a situação poderá determinar o tempo da suspensão das transmissões.
A questão da reputação de Mbappé é complexa, pois sua imagem estava firmemente estabelecida em campanhas publicitárias na China. Especialistas questionam se ele poderá recuperar totalmente essa imagem, salientando que uma perda de influência no país terá repercussões diretas nos interesses comerciais da LaLiga e do Real Madrid.
A continuidade deste incidente poderá demandar um tempo prolongado para uma recuperação efetiva. Comentadores expressam incerteza sobre a rapididade com que a situação será resolvida, sublinhando a importância das futuras ações de Mbappé e do Real Madrid.
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