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Segundo informações publicadas pela Folha, o Banco Master iniciou a devolução de quase 30 mil m² de escritórios na Vila Olímpia, em São Paulo, após a não renovação de seu contrato com a Auri Desenvolvimento Imobiliário. O espaço mais significativo ocupado pelo banco era no Auri Plaza, que totalizava 13.960 m², com um aluguel mensal estimado em R$ 3,9 milhões. A decisão de desocupar esses imóveis é um reflexo do colapso do banco, que foi liquidado pelo Banco Central, e está em meio a um escândalo financeiro que resultou na prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O mercado imobiliário já começa a refletir as consequências dessa devolução, conforme análise de Mariana Hanania, head de pesquisa da Newmark. A vacância de escritórios de alto padrão na Vila Olímpia tinha caído para 15,3% no último trimestre, correspondente a cerca de 50 mil m² disponíveis. Contudo, essa nova devolução pode empurrar esse índice próximo a 20%, aumentando a oferta de forma pontual.
Os especialistas indicam que a absorção do novo espaço desocupado ocorrerá de maneira gradual, impulsionada por uma demanda que, nos últimos dois anos, tem mostrado sinais de recuperação, especialmente por lajes de alto padrão. Atualmente, a Vila Olímpia abriga cerca de 70 empresas que ocupam áreas superiores a 10 mil m², um aumento em comparação com as 52 registradas em 2021.
O esvaziamento do Auri Plaza pode, na verdade, gerar um efeito inverso, recolocando no mercado ativos que se tornaram escassos: grandes áreas contínuas. Eduardo Cardinali, da Binswanger Brazil, observa que esse tipo de oferta pode atrair empresas que não encontravam espaço disponível anteriormente.
Embora a devolução provoque uma pressão inicial na taxa de vacância, estima-se que essa situação se estabilize nos próximos trimestres. Adicionalmente, os preços do aluguel podem sofrer uma elevação, uma vez que o Auri Plaza será disponibilizado com o maior valor por metro quadrado entre os edifícios da Vila Olímpia.
Segundo Mariana Hanania, no segmento de alto padrão, o valor do imóvel é mais influenciado por localização, características construtivas e disponibilidade do espaço, do que pelo histórico de ocupação anterior. O mercado de escritórios em São Paulo, conforme evidenciado por levantamentos da JLL, está passando por um aquecimento, com uma taxa de vacância que atingiu o menor nível em 14 anos.
Conforme reportado pela coluna Painel S.A., o primeiro trimestre de 2026 registrou pelo menos seis transações acima de 5.000 m², demonstrando uma demanda robusta por áreas corporativas. Regiões como as avenidas Juscelino Kubitschek e Chucri Zaidan estão liderando o crescimento na absorção de espaços, enquanto a área da Rebouças já zerou a vacância nos edifícios entregues.
O edifício B32, que também abrigava o Banco Master, já registrou a devolução de cerca de 8.100 m², seguido pela entrada de um novo inquilino de grande porte, destacando a dinâmica do mercado em termos de rotação de ativos.
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