
O CEO e CIO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, avaliou que há uma chance razoável de 60% de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de outubro. Esta estimativa, extraída de agregadores de pesquisas eleitorais monitorados pela gestora, está alinhada com os dados de plataformas de mercados preditivos, como o Polymarket, que são consideradas ilegais no Brasil.
Durante sua participação no painel da Monte Bravo Experience, Stuhlberger comentou: “Esses 60/40 para o Flávio me parecem razoáveis”. Ele acrescentou que uma eventual vitória do senador resultaria em uma “porrada insana” na bolsa de valores. De acordo com o executivo, excluindo as empresas de commodities, a bolsa brasileira negocia atualmente com um preço sobre lucro (P/E) de 10,5 vezes. Esse múltiplo está próximo da faixa de 10 a 11 vezes, que ele observou durante os governos do PT.
Stuhlberger também destacou uma discrepância significativa entre o potencial de alta e o risco de queda do mercado, dependendo do resultado da eleição. Ele mencionou que, na hipótese de uma recessão, os lucros caem, mas, até que isso ocorra, a bolsa apresenta um potencial de queda de 10% a 12% no caso de vitória de Lula, enquanto uma vitória de Flávio poderia levar a uma alta de 30%.
O executivo acredita que, com uma vitória de Flávio, haverá uma ampla adesão à compra de ações, pois o mercado está atualmente leve, o que poderia resultar em um rali dos papéis domésticos. “Os fundos de ações foram dizimados e os gringos estão muito baixos em Brasil. Se entra uma horda de gente comprando, o mercado sobe muito porque é pequeno. E o gringo que já está no Brasil dificilmente vai vender”, afirmou ele.
Stuhlberger observou que a atual condição da bolsa oferece a maior assimetria entre os três principais mercados locais. Ele caracterizou a assimetria no mercado de juros como negativa, especialmente para os títulos prefixados. “Com Lula, ela é muito ruim; com Flávio, moderadamente boa”, afirmou, explicando que, com os juros americanos em um nível elevado, os juros brasileiros não podem cair tanto.
Ele também ressaltou que as taxas de juros dos títulos americanos de cinco a dez anos, tanto os títulos do Tesouro americano indexados à inflação (TIPS) quanto os títulos prefixados, estão em níveis altos. Isso leva a uma necessidade de que os juros no Brasil permaneçam pelo menos 4 ou 5 pontos percentuais acima dos seus equivalentes americanos.
“O juro real tem uma assimetria melhor que o prefixado. Acho difícil passar de 8,5%, mas também é difícil cair abaixo de 6,5% por causa das TIPS americanas. Com a TIPS americana a 3%, você não vai ver a NTN-B abaixo de 6,5%”, finalizou Stuhlberger.











