O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do banco atingiu 24,3%, ligeiramente abaixo dos 24,8% do trimestre anterior, mas acima dos 23,3% registrados há um ano.
Conforme relatado pelo Brazil Journal, a instituição revisou suas projeções para as receitas de prestação de serviços e seguros, agora estimando um crescimento entre 2% e 5% para 2026, inferior à previsão anterior de 5% a 9%. Esse ajuste já era esperado pelo mercado, que havia identificado fraquezas nas projeções em reuniões recentes com analistas, segundo informações de um participante.
A especulação sobre um resultado abaixo das expectativas não se confirmou. “O balanço reflete bem o padrão do Itaú,” afirmou um analista do buyside. Se os indicadores de lucro e inadimplência tivessem entrado em queda, haveria um estresse mais generalizado no setor.
Entretanto, a receita com serviços foi impactada negativamente pela área de mercado de capitais, especialmente devido à diminuição das operações de dívida em abril e maio, influenciada pela instabilidade no Oriente Médio e os desafios de crédito no Brasil, que restringiram a captação dos fundos.
Além disso, o Itaú optou por reduzir tarifas que considera insustentáveis, como as de contas correntes para clientes com maior relacionamento, criando pressões de curto prazo em suas receitas.
Um analista previu que a desaceleração nas receitas de serviços poderá reduzir em aproximadamente 3% o lucro operacional da instituição este ano. Contudo, o impacto no lucro líquido pode ser minimizado por um ganho fiscal. Com a Selic elevada, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) também permanece alta, permitindo ao banco aumentar os juros sobre capital próprio (JCP) a serem deduzidos do imposto. Uma maior utilização de JCP resultará em uma alíquota de imposto menor, beneficiando o lucro líquido.
Os indicadores de crédito do Itaú, monitorados de perto em um cenário de crise, mantiveram-se sólidos. A taxa de inadimplência acima de 90 dias, que abrange operações em toda a América Latina, permaneceu estável em 1,9% por seis trimestres consecutivos. No Brasil, a taxa atingiu 2,1% em junho, em comparação a 2% no ano anterior.
A carteira de crédito do Itaú cresceu 2,7% em termos consolidados e 2,6% no Brasil no trimestre, totalizando R$ 1,5 trilhão. No comparativo anual, o aumento foi de 9,6% em ambos os aspectos.
Adicionalmente, a margem com clientes expandiu 3,3% no trimestre e 5,1% em relação ao mesmo período de 2025.
A ação do Itaú valorizou 23% nos últimos 12 meses, enquanto o índice Bovespa cresceu 34%. O Nubank e o Bradesco registraram altas de 19% e 16%, respectivamente. Atualmente, o valor de mercado do banco na Bolsa é de R$ 478 bilhões.
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