O uso de smartphones entre idosos tem crescido, evidenciando-se como uma ferramenta importante para promoção de autonomia e comunicação. Entretanto, especialistas alertam para a necessidade de um equilíbrio entre os benefícios e os riscos associados a essa tecnologia.
De acordo com informações publicadas pelo News Rondônia, o médico especialista em saúde do idoso Michel Hosananh, docente da Afya São Lucas, ressalta que o celular se tornou um “canivete suíço moderno”. Ele destaca que essa ferramenta permite que os idosos se comuniquem, solucionem problemas diários e mantenham a independência, aspectos valiosos para essa faixa etária.
Com o avanço tecnológico, a orientação, especialmente por parte da família, se faz necessária. O médico defende que o apoio não deve ser limitante, mas sim educacional. “O ideal é orientar sem impor. É fundamental ensinar sobre segurança digital e estabelecer regras claras, respeitando a capacidade do idoso”, sublinha Hosananh.
O uso excessivo de dispositivos móveis pode trazer efeitos negativos à saúde, incluindo alterações de sono, dores musculares e até isolamento social. “Embora a tecnologia aproxime, seu uso abusivo pode afastar as pessoas das interações sociais e prejudicar a atenção”, alerta Hosananh, que também indica sinais de alerta como irritação ao ficar sem o dispositivo ou a dificuldade em realizar tarefas sem ele.
Em contrapartida, quando usados de maneira consciente, smartphones podem contribuir para o bem-estar dos idosos, funcionando como ‘cuidadores digitais’ através de recursos como lembretes de medicação e aplicativos para monitoramento de saúde.
A inclusão digital é um aspecto fundamental da cidadania, como enfatizado pelo coordenador do curso de Direito da Afya São Lucas, Christian Ito. Ele destaca que a autonomia e dignidade dos idosos são diretamente afetadas pelo acesso à tecnologia. “O Estatuto do Idoso assegura esse direito, sublinhando a importância de políticas públicas para capacitação digital”, afirma Ito.
Apesar da crescente adoção de smartphones, os idosos continuam a ser um dos grupos mais vulneráveis a fraudes digitais. Christian Ito adverte que essa vulnerabilidade resulta de uma falta de familiaridade com a tecnologia e alterações cognitivas naturais do envelhecimento.
Os tipos de fraudes mais comuns incluem chamadas falsas de instituições financeiras e links fraudulentos. A legislação brasileira possui medidas rigorosas contra crimes direcionados a idosos, além de responsabilizar instituições por falhas em sua proteção.
Para minimizar os riscos, a conscientização digital é vital. “Recomenda-se desconfiar de mensagens urgentes e sempre verificar informações com familiares ou instituições antes de agir”, conclui Ito.
Os especialistas concordam: o celular não deve ser visto como um vilão, mas sim como uma ferramenta que, se utilizada de forma consciente, promove a autonomia e segurança dos idosos. “O melhor caminho é equilibrar liberdade com orientação”, conclui Michel Hosananh.
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