Para comemorar este marco, o Museu Exploratório de Ciências da Unicamp organizará uma atividade especial no dia 22 de outubro de 2026, conforme informado pelo portal Jornal da Unicamp. O evento contará com a presença do professor Guilherme Oliveira Barbosa, do Instituto de Biologia, que realiza pesquisas relacionadas à mosca-da-fruta e coordena o Museu Exploratório de Ciências.
Barbosa destaca que a pesquisa com Drosophila é crucial para entender doenças genéticas e o funcionamento celular. A genética moderna permite, por exemplo, a identificação de mutações associadas a doenças, incluindo tipos de câncer, e a compreensão da diversidade genética em populações diferentes. “A organização dos genes explica por que certas características ou doenças podem ser herdadas”, afirma o docente.
No entanto, no tempo de Morgan, a estrutura do DNA ainda não era conhecida, a ser descrita apenas em 1953. “Fomos da escuridão para a luz na genética”, comenta Barbosa, que também observa que atualmente o avanço nas técnicas de sequenciamento genômico é muito mais acessível.
A medicina personalizada surge como uma aplicação direta do conhecimento genético. Essa abordagem visa combinar dados clínicos com informações genéticas para prever predisposições a doenças e direcionar estratégias de tratamento. Contudo, essa evolução levanta preocupações éticas, incluindo a privacidade dos dados genéticos e possíveis discriminações, como o uso de informações genéticas por empregadores.
“O entendimento do genoma humano terá um papel crescente na medicina, mas necessitará de discussões sobre proteção e discriminação relacionadas ao uso dessas informações”, observa Barbosa, salientando que as pesquisas iniciadas com as moscas há um século continuam a impactar nossa compreensão da saúde humana.
Os cientistas capturam Drosophila na natureza usando armadilhas simples com frutas em decomposição. Essa técnica possibilita a coleta de populações naturais, mas atualmente muitas das moscas usadas em laboratórios, como na Unicamp, são linhagens geneticamente modificadas e mantidas em condições controladas.
As primeiras linhagens vieram da Califórnia e, devido a suas modificações, o laboratório adota medidas rigorosas de segurança para evitar qualquer contaminação ou perda de material genético valioso que possa atrasar pesquisas.
No evento do Museu Exploratório, será exibido o filme The Fly Room, que retrata a vida de Betsey, filha de Calvin Bridges, um dos pesquisadores associados a Morgan. A história promove um entendimento acessível sobre a importância dos estudos com Drosophila para a genética.
Após a exibição, haverá uma discussão mediada por professores convidados sobre a relevância dos organismos-modelo na pesquisa genética. O evento visa unir a ciência, a história e o cinema, oferecendo uma nova perspectiva sobre a hereditariedade e a genética.
Detalhes do Evento:
Data: 22 de outubro de 2026
Horário: 19h às 21h
Local: Museu Exploratório de Ciências – Unicamp
Entrada: Gratuita e aberta ao público (para mais informações, consulte @mcunicamp)
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