Cores vibrantes, elementos em verde e amarelo, e motivos tropicais se destacam nas passarelas internacionais, evidenciando que o Brasil está conquistando o cenário da moda global. A tendência, chamada de “Brazilcore”, celebra a brasilidade numa estética única, especialmente ao ser reinterpretada por estilistas mineiros. Este movimento surge em um contexto onde eventos de grande porte, como premiações cinematográficas e a Copa do Mundo, projetam o país no exterior.
Conforme informações publicadas pelo O TEMPO, a consultora de tendências Suzana Cohen, radicada em Portugal, destaca que a valorização da estética brasileira está atrelada a um movimento de empoderamento e autenticidade, potencializado pelas redes sociais. Este fenômeno transforma símbolos antes marginalizados em emblemas de sofisticação, desafiando a percepção do que é considerado “cool” no Brasil.
A demanda por produtos brasileiros, como as sandálias Havaianas, reflete a ascensão do “Brazilcore” no mercado global. Segundo o Lyst Index, no terceiro trimestre de 2025, as Havaianas lideraram as buscas, com um aumento de 34% em relação ao trimestre anterior, superando marcas renomadas.
A crescente popularidade do termo “Brazilcore” no Google Trends também indica que a estética brasileira não se limita às passarelas, mas alcança o consumidor cotidiano, especialmente em época de eventos culturais.
No entanto, o fenômeno atrai críticas. Reportagens do BBC e da DW apontam que a apropriação da estética periférica pela moda global pode resultar em um esvaziamento cultural. A pesquisadora Thais Farage observa que a repetição de elementos tropicais pode não fomentar uma crítica construtiva sobre esse imaginário.
A estilista Haninne Moraes Salomão, da marca Remexe Favelinha, expressa sua preocupação com a falta de conhecimento de alguns criadores sobre as raízes da estética que tentam replicar. “Falta compreender a história e o contexto que essas referências carregam”, enfatiza.
No Minas Trend, maior evento de moda da América Latina, as peças artesanais em verde e amarelo se sobressaem, demonstrando uma conexão com a tendência “handmade”. Essa valorização dos trabalhos manuais é uma excelente oportunidade para marcas e consumidores. Ane Almeida, do Êllu Atelier, confirma o sucesso de vendas de itens feitos em crochê, destacando que a demanda superou suas expectativas.
Em suma, a tendência “Brazilcore” está não apenas em voga, mas também simboliza um movimento maior de resgate e orgulho da cultura brasileira, refletindo uma nova forma de ver e viver a moda. A conexão entre a autenticidade local e a projeção internacional favorece a criação de um novo discurso sobre estilo e identidade.
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