O Bitcoin (BTC) enfrenta uma queda significativa nesta sexta-feira (27), refletindo uma desvalorização de 0,7% nos últimos sete dias, após uma recuperação robusta no meio da semana. Em contraste, o Ether (ETH), a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, apresenta um crescimento de 1,4% no mesmo intervalo de tempo.
Conforme reportado pelo Valor Econômico, no dia anterior, as criptomoedas iniciaram com tendências positivas, mas recuaram juntamente com as ações globais. Esse movimento foi impulsionado por preocupações relacionadas à evolução da inteligência artificial e tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Notavelmente, a fabricante de chips Nvidia viu suas ações caírem mais de 5% após apresentar resultados robustos no último trimestre.
Nesta sexta, foram divulgados dados relevantes sobre a inflação no atacado nos EUA. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) cresceu 0,5% em janeiro em comparação com dezembro, superando a previsão de 0,3% feita pelos economistas. Em termos anuais, o PPI apresenta uma alta de 2,9%. Embora essa inflação ao produtor não receba tanta atenção quanto a inflação ao consumidor, seu aumento inesperado pode ter efeitos adversos sobre ativos de renda variável, incluindo criptomoedas.
Às 11h16 (horário de Brasília), o Bitcoin registrou uma queda de 2,5% em 24 horas, sendo comercializado a US$ 66.301, enquanto em reais, a moeda digital apresentou uma desvalorização de 2%, cotada a R$ 341.562, conforme dados do CoinGecko e Cointrader Monitor.
Entre as altcoins, o Ether observou uma desvalorização de 5,1%, sendo cotado a US$ 1.960. O XRP, token da Ripple, caiu 4,8%, negociado a US$ 1,37; a Solana (SOL) perdeu 5,5%, a US$ 83,06; e o BNB, token da Binance Smart Chain, teve um recuo de 2%, a US$ 615,27. Atualmente, a soma do valor de mercado de todas as criptomoedas gira em torno de US$ 2,36 trilhões.
Segundo Vinicius Bazan, CEO da consultoria Underblock, a narrativa mais relevante da semana no universo cripto foi a disputa entre entusiastas de criptomoedas e a corretora Jane Street. A empresa, que se destaca como uma das maiores formadoras de mercado de cripto e é parte do fundo de ETF de Bitcoin da BlackRock, denominado IBIT, está sendo processada por supostos vínculos com o colapso da Terraform Labs em 2022.
Bazan também indica que a Jane Street estaria manipulando o preço do Bitcoin para adquirir a moeda a custos mais baixos durante essas quedas. Porém, rumores sobre essa manipulação não foram confirmados e foram rechaçados por especialistas, como James Seyffart, analista da Bloomberg Intelligence.
Maximiliaan Michielsen, analista da gestora 21Shares, aponta que os preços do Bitcoin estão sendo afetados por dados da economia americana, incluindo um Produto Interno Bruto (PIB) e geração de empregos abaixo das expectativas. Ele afirma: “A queda do Bitcoin coincide com um movimento de redução de risco em múltiplas classes de ativos”.
Rony Szuster, head de análise do Mercado Bitcoin (MB), ressalta que a situação geopolítica voltou a ser uma preocupação, especialmente após uma reunião considerada malsucedida entre representantes dos EUA e do Irã em Genebra. A falta de um acordo sobre o programa nuclear iraniano intensifica a percepção de risco, pressionando o preço do petróleo para cima e, consequentemente, enfraquecendo ativos de risco durante períodos de tensão internacional.
Apesar do cenário desafiador, os ETFs de Bitcoin à vista que operam nas bolsas americanas registraram um saldo líquido positivo de US$ 254,4 milhões. Esse foi o terceiro dia consecutivo de entradas de capital nesse tipo de fundo. O IBIT, da BlackRock, foi o maior responsável pelo fluxo de compras, com US$ 275,8 milhões em excesso de compras em relação às vendas.
Adicionalmente, os ETFs de Ether também apresentaram um fluxo positivo de US$ 6,6 milhões, enquanto os ETFs de Solana tiveram um saldo positivo de US$ 500 mil.
Essa dinâmica complexa entre fatores econômicos, guerras de mercado e eventos geopoliticos continua a moldar o cenário das criptomoedas, exigindo atenção constante dos investidores e analistas do setor.
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