Segundo informações publicadas pelo R7, áudios extraídos de celulares revelam a atuação de criminosos envolvidos no roubo de alianças e correntinhas nas ruas de São Paulo. As gravações indicam que esses delitos estão integrados a um esquema milionário relacionado ao crime organizado, onde a violência nos assaltos marca apenas o início da cadeia de acontecimentos que leva à comercialização clandestina de joias.
Os áudios, encontrados pela Polícia Civil no celular de um suspeito já preso, mostram diálogos entre os envolvidos sobre como negociar o ouro roubado. Em uma das conversas, um dos criminosos diz: “Eu acabei de pegar uns ouros bom aqui”, enquanto em outra, um integrante do grupo menciona “uma corda maciça”. Além disso, eles discutem estimativas de roubo, como quando um dos envolvidos diz: “Vamos ver se neste final de semana a gente pega umas 100 gramas, jogador”.
Terminologia do Comércio Ilegal
No jargão utilizado pelos criminosos, expressões como “tacar fogo” referem-se ao processo de derreter as joias para criar pequenas placas de ouro. A polícia encontrou uma dessas placas em uma das lojas que estava sob investigação. Essas placas eram acondicionadas em envelopes, maquiadas como joias para conserto, dificultando ainda mais a identificação de atividades ilícitas.
De acordo com o delegado Fernando David, 90% das empresas que fazem parte da investigação estão localizadas na região conhecida como Círculo de Fogo. Essa área é marcada pela grande circulação de pessoas, o que complica a fiscalização e a identificação dos envolvidos.
Dinheiro do Crime
O valor gerado pela venda do ouro roubado era distribuído entre pelo menos 13 empresas de fachada operando em diversos setores. A investigação revelou que R$ 356 milhões do mercado clandestino de ouro foram lavados por meio de uma instituição de cobranças localizada no centro de São Paulo.
Na operação realizada na última terça-feira, um homem foi detido e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 374 milhões ligados à quadrilha. A ação policial incluiu a execução de mandados em 31 endereços na capital paulista, resultando na apreensão de relógios e joias.
Essas informações destacam a complexidade e a seriedade do crime organizado que envolve o comércio ilegal de ouro na cidade, refletindo a necessidade de ações rigorosas para combater essa rede.
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