Um atraso de três meses nos repasses financeiros da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo ao CAISM (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) Vila Mariana tem gerado sérias consequências no atendimento da unidade, localizada na zona sul da capital paulista. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a gestão Tarcísio de Freitas enfrenta um momento crítico, afetando a compra de medicamentos e insumos essenciais, além de comprometer serviços de ambulância, limpeza e segurança.
Jair Mari, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e um dos gestores do CAISM, destaca que, apesar das dificuldades, o atendimento continua. “Estamos cumprindo nosso compromisso, mas os profissionais estão estressados e desmotivados. Como garantir a limpeza e a segurança adequadas se faltam medicamentos e, em muitos casos, precisamos usar recursos próprios para alimentar os pacientes?” questionou.
A Secretaria da Saúde argumenta, em nota, que o repasse será regularizado em breve e que os atendimentos não estão suspensos. Contudo, a falta de verba tem gerado um cenário preocupante. O CAISM, que oferece um pronto-socorro psiquiátrico e outros serviços especializados, deveria receber cerca de R$ 1,6 milhão por mês. A unidade realiza, em média, 5.000 atendimentos ambulatoriais mensais.
Ary Gadelha, também professor da Unifesp, salienta que a falta de medicações essenciais, como o Haldol Decanoato, e a impossibilidade de realizar exames laboratoriais regulares comprometem a qualidade do atendimento prestado. “É difícil apontar um único responsável. A burocracia parece ser uma roda infinita que perpetua esse problema”, afirmou.
Além do impacto no fornecimento de medicamentos, a coleta de exames de sangue, realizada duas vezes por semana, está ameaçada. A interrupção desse monitoramento é alarmante, pois impede a introdução de medicações complexas necessárias em casos graves. “Sem esses exames, não é possível utilizar os medicamentos adequados, aumentando o risco de complicações clínicas”, explicou uma psicóloga que preferiu não ser identificada.
O psiquiatra Kalil Bueno Abdalla, chefe de plantão do pronto-socorro do CAISM, também expressou preocupação com a falta de ambulâncias. “Pacientes que necessitam de internação superior a 48 horas precisam ser transferidos. Sem ambulâncias, temos dificuldades em lidar com emergências médicas. Precisamos recorrer ao Samu, o que compromete a agilidade necessária em situações críticas”, ressaltou.
Por fim, a Secretaria da Saúde reafirma que o cumprimento de normas técnicas e jurídicas é essencial para a correta aplicação dos recursos públicos. A gestão do CAISM Vila Mariana, que opera sob um convênio com a Unifesp e a OSS SPDM, foi estabelecida em março de 2018 após a saída da Santa Casa de Misericórdia.
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