A Acadêmicos de Niterói, que fez sua estreia no Grupo Especial do carnaval carioca, enfrentou um rebaixamento impactante após obter a última posição na apuração realizada no dia 18 de fevereiro. O desempenho da escola foi considerado insatisfatório, resultando em apenas duas notas máximas ao longo de seu desfile, que ocorreu em 15 de fevereiro e teve um enredo controverso em homenagem ao atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
Intitulado “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o enredo apresentou uma narrativa da vida do presidente, abordando sua trajetória desde a infância no Nordeste até seus anos como torneiro mecânico e líder sindical, culminando em sua ascensão ao cargo de presidente. A comissão de frente fez referência à posse mais recente de Lula, ao recriar a rampa do Palácio do Planalto, e contou com figuras representativas da sociedade civil durante a apresentação.
O desfile, visivelmente carregado de críticas sociais e políticas, incluiu alegorias que destacaram não apenas o cenário da pobreza no agreste pernambucano, mas também questionamentos diretos sobre a gestão da pandemia e as políticas sociais implementadas durante o governo anterior. Em um dos momentos mais emblemáticos, a prisão do próprio Lula foi mencionada uma alegoria na parte traseira de um dos carros.
Além das escolhas temáticas, a Acadêmicos de Niterói enfrentou desafios logísticos sérios. A escola teve problemas evidentes de dispersão, com alguns carros alegóricos presos na saída da Marquês de Sapucaí, dificultando a movimentação e resultando em reclamações da escola Imperatriz Leopoldinense, que desfilou em seguida, acusando prejuízo devido ao bloqueio da pista.
O enredo da Acadêmicos de Niterói não passou despercebido no âmbito legal, gerando pelo menos dez ações judiciais, além de representações junto a órgãos como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União. Oposição alegou que a apresentação caracterizava propaganda eleitoral antecipada a favor de Lula, já que a legislação eleitoral só permite campanhas a partir de 16 de agosto. Contudo, o Tribunal Superior Eleitoral negou liminares que questionavam o desfile, argumentando que a proibição configuraria censura prévia e que eventuais condutas irregulares poderiam ser analisadas posteriormente.
Após o desfile, o presidente Lula utilizou suas redes sociais para manifestar apreço pela homenagem, o que gerou reações adversas da oposição e novas ameaças de ações judiciais por desvio de recursos e promoção indevida. A bancada evangélica também expressou forte descontentamento com a ala “Neoconservadores em conserva”, que trouxera referências religiosas em sua representação. Em resposta aos desdobramentos, a escola publicou uma nota oficial no dia 16 de fevereiro, alegando estar enfrentando perseguição política durante a preparação para o carnaval.
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