Trilha e telão deixaram de ser detalhes de última hora. Hoje são as escolhas que separam uma pista cheia de um salão vazio, e ambas têm critérios.
Por Thais Teixeira da Treme Terra Audiovisual, empresa do Grupo All Party especializada em audiovisual para eventos.
Uma festa privada se mede por dois momentos: a pista que não esvazia e a imagem que aparece no telão. Nenhum dos dois depende de gastar mais. Dependem de duas decisões técnicas tomadas semanas antes do evento, a curadoria da trilha e o dimensionamento da superfície visual.
Errar a primeira esvazia a pista às 23h. Errar a segunda entrega um telão que ninguém consegue ler.
O convidado passou a comparar a festa com o festival que assistiu e com o show que viu pela internet. Isso empurrou o pacote básico de som e iluminação para três frentes de contratação: trilha, superfície visual e rider técnico.
A exigência varia conforme o formato. Lançamento de produto pede telão legível para apresentação. Casamento pede imagem para fotos e mensagens. Formatura pede transmissão de vídeo. Aniversário pede pista cheia.
Na prática, o orçamento de audiovisual deixou de ser a última linha do planejamento e passou a competir com buffet e decoração.
Contratar DJ para eventos não significa contratar alguém para tocar música. Significa contratar leitura de pista, e a leitura começa na reunião prévia.
Cerimônia, coquetel, jantar e pista pedem trilhas diferentes. Um set de MPB e jazz que funciona no jantar esvazia a festa se continuar às 23h. Um set eletrônico que funciona na pista arruína o jantar se começar cedo.
A duração também tem piso técnico. Quatro horas é o mínimo para o profissional construir progressão de pista, com pacotes de 6, 8 e 12 horas para eventos maiores. Abaixo disso, a maior parte do tempo é gasto no aquecimento e o evento termina antes de a pista responder.
Som profissional, mesa e cabos são inclusos, com integração ao sistema de áudio do local quando ele existe. Em espaços que já têm som próprio, o alinhamento técnico precisa ser feito antes, não durante o evento.
Existe ainda a camada de condução. DJ que também atua como MC mantém a energia entre os blocos e resolve o intervalo em que a pista normalmente esfria.
O erro mais caro do planejamento visual é escolher painel de LED pela polegada ou pelo preço do metro quadrado. O critério correto é outro: a distância entre a última fileira e a tela.
Pixel pitch é a distância entre os LEDs de um painel, medida em milímetros. Quanto menor o número, mais perto o público pode ficar sem enxergar a grade de pontos. Quanto maior, mais barato o metro quadrado e mais longe o público precisa estar.
| Modelo | Uso ideal | Distância de visualização |
| P2 | Indoor premium | 2 a 8 m |
| P3 | Versátil, indoor e outdoor | 3 a 15 m |
| P5 | Outdoor | 5 a 30 m |
| 4K | Ultra HD, transmissão e conteúdo detalhado | Sob medida |
Na prática, até 10 metros, P2 ou P3. Entre 10 e 20 metros, P3 ou P5. Acima de 20 metros, P5. Um P2 contratado para um evento com 25 metros de profundidade é dinheiro queimado. Um P5 em sala pequena entrega imagem granulada que ninguém decifra.
Dois itens completam a decisão. Painel com classificação IP65 opera sob chuva e poeira, o que viabiliza área externa sem cobertura. E painel sem operador de vídeo no local vira tela parada em caso de falha de sinal, porque o equipamento só funciona com alguém conectando HDMI, notebook ou câmera em tempo real.
A sequência de contratação é sempre a mesma: análise do espaço e da distância, definição de pitch, orçamento, montagem no D-2, operação durante o evento e desmontagem no D+1. Montar com antecedência permite testar sinal e conteúdo antes de o primeiro convidado entrar.
Rider é a lista do que o evento precisa em estrutura, não em equipamento. É o documento que evita a descoberta de última hora de que o palco não comporta o telão ou de que o local não tem ponto de energia suficiente.
Três itens resolvem a maior parte dos problemas. Prazo de montagem, porque D-2 é o mínimo para testar imagem e som com calma. Responsável técnico no local, porque a cadeia de fornecedores precisa de um ponto de contato único. E plano de desmontagem, porque a retirada no D+1 depende da liberação do espaço, que raramente é imediata.
A regra é a distância entre a decisão e a data. Trilha e superfície visual pedem definição com antecedência, porque dependem de reunião de alinhamento e de análise de espaço. Locação de equipamento trabalha com agenda e disponibilidade de estoque.
Na prática, deixar as duas decisões para as duas semanas finais costuma custar mais caro. Não por escassez de fornecedor, mas por eliminação de opções: o pitch que serve o espaço pode já estar comprometido, e a reunião de repertório perde o tempo necessário para ser útil.
Uma festa boa não é a que gastou mais em audiovisual. É a que acertou duas decisões: repertório que acompanha o momento da festa e telão dimensionado para a distância de quem assiste. As duas têm critério, e as duas são mais baratas quando definidas cedo.
Qual a diferença real entre P2, P3 e P5?
O número é o pixel pitch em milímetros. P2 tem LEDs a cada 2 mm e serve para público próximo, em ambiente interno. P5 tem LEDs a cada 5 mm e serve para público distante, incluindo área externa.
Qual painel usar para 10 metros de distância?
P3 é a escolha segura nessa faixa. P2 também funciona, com custo maior por metro quadrado. Acima de 20 metros, P5.
Painel de LED funciona em evento ao ar livre?
Sim, com classificação IP65, que resiste a chuva e poeira. A estrutura e o ponto de energia precisam de verificação prévia.
Quantas horas de DJ o evento precisa?
Quatro horas é o mínimo. Eventos com pista longa pedem pacote de 6, 8 ou 12 horas.
Dá para usar o som do próprio local com o DJ?
Sim, com integração técnica prévia. Som, mesa e cabos são inclusos e o sistema existente é incorporado.
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