
As demolições de imóveis em São Paulo começaram, impulsionadas pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), visando o novo centro administrativo do governo estadual. O processo, que afeta a quadra 48 do bairro Campos Elíseos – a última a ser desocupada em torno do parque Princesa Isabel – preocupa os moradores e proprietários de apartamentos que temem a desvalorização de seus imóveis.
Professor de música e morador do edifício Henrique, Sérgio Solimando, 61 anos, observa as escavadeiras removendo os destroços das demolições. Ele expressa sua preocupação com a falta de diálogo e informações sobre o processo de indenização. “Estão derrubando tudo e ninguém veio conversar com a gente ainda,” disse.
Impacto nas Indenizações
Proprietários de apartamentos nos edifícios Henrique e Princesa relataram à Folha, que a antecipação das demolições pode resultar em uma desvalorização ainda maior e em indenizações inferiores ao esperado. A companhia de desenvolvimento urbano do governo (CDHU) explicou que as demolições estão restritas a imóveis já desapropriados e que o valor das indenizações será discutido após a gestão do novo consórcio responsável pela obra, o MEZ-RZK Novo Centro. Contudo, o contrato com o governo ainda não foi assinado, o que impede o início das negociações.
Preocupações dos Moradores
Silvio Monteiro de Lima, 56, geógrafo e proprietário de um apartamento no edifício Princesa, também expressou seu descontentamento. Ele teme que seu imóvel, avaliado em R$ 300 mil, desvalorize ainda mais. Essa inquietação é compartilhada por outros moradores, que citam um histórico preocupante de desapropriações na região.
O advogado Alex Lamartine Franco, representante de muitos moradores, apontou que nas desapropriações de 2017, a Cohab tentou aplicar um “fator favela”, resultando em ofertas de indenização quase 67% menores do que o valor real dos imóveis. Para ele, a ausência de vigilância em um quarteirão demolido pode levar ao aumento do tráfico de drogas e à depreciação dos edifícios.
Falta de Comunicação e Limbo Institucional
Além disso, moradores estão em um limbo institucional, sem um interlocutor claro para discutir as indenizações. O subsíndico do edifício Henrique, Odair Paulo Tognon, disse que, sem a assinatura do contrato com os responsáveis pela obra, não sabem a quem recorrer. A CDHU respondeu que as atividades seguem conforme as orientações da Secretaria de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo, e enfatizou que as demolições ocorrem apenas em imóveis que já foram desapropriados e lacrados pelo Ministério Público.
Os moradores, temendo que a entrada de peritos para laudos cautelares cause mais desvalorização, resistem em permitir a vistoria em seus prédios. A CDHU informou que está realizando laudos de vistoria cautelar e que as tratativas das indenizações serão conduzidas pela empresa concessionária responsável.
A situação continua gerando apreensão entre os moradores, que aguardam maior clareza sobre suas futuras indenizações e o impacto que as demolições terão em suas propriedades.











