
Dois meses após a explosão em Jaguaré, zona oeste de São Paulo, moradores ainda enfrentam o caos com obras inacabadas e danos em imóveis. Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, muitos residentes relatam dificuldades para retomar a rotina normal, já que as intervenções não resolveram os problemas enfrentados.
Os atingidos afirmam que as equipes responsáveis pelos reparos retornam várias vezes, mas novos danos surgem rapidamente após as tentativas de conserto. Além disso, muitos reclamam do tratamento desrespeitoso por parte dos funcionários encarregados das obras.
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo), responsável pela obra que causou a tragédia, declarou estar apoiando as famílias afetadas. A companhia informou que, dentro da área definida pela Defesa Civil, 48 imóveis apresentaram danos, dos quais 44 foram reparados e quatro continuam em andamento. Fora desta área, a Sabesp vistoriou outros 99 imóveis.
A explosão, que ocorreu em 11 de maio, envolveu obras relacionadas às redes subterrâneas de saneamento e gás, resultando na morte de dois homens, Alex Sandro Fernandes Nunes e Francisco Bondemba da Silva. Dezenas de imóveis foram danificados, forçando famílias a deixarem suas casas temporariamente.
A auxiliar de classe Fernanda Cardoso, residente no bairro há 37 anos, é uma das afetadas. Ela relata ter interrompido sua rotina de trabalho para acompanhar os reparos, que nunca eram concluídos. “A cada visita, surgia um vazamento novo”, diz ela, ressaltando que precisou improvisar com baldes para conter a água durante as chuvas.
Fernanda também expressa insatisfação com o tratamento recebido pelas equipes de reparo. “Não pedi cortesia, só queria que resolvessem o problema”, afirmou. Apesar de alguns serviços terem sido realizados de forma satisfatória, o telhado de sua residência ainda apresenta falhas.
Outro depoimento é de Eva Aparecida Rosa dos Santos, 52 anos, que contou ter adiado compromissos médicos na expectativa de que os reparos fossem finalizados. “Achei que naquele dia a obra ia acabar. E não acabava”, desabafou. A moradora também solicitou que a situação de sua casa fosse normalizada com urgência.
Negociações Problemáticas
Além dos reparos, moradores levantam questões sobre a condução das negociações de indenização. Segundo informações do advogado de algumas famílias, Sabesp, Comgás e a Defensoria Pública têm negociado diretamente com os afetados, excluindo os advogados que os representam.
Uma das controvérsias é uma cláusula que condiciona o auxílio emergencial de R$ 15 mil, destinado a comerciantes, ao desconto em futuras indenizações. A defesa alega que os moradores foram informados anteriormente que este montante não seria abatido.
Moradores também questionam relatórios sobre os imóveis danificados e reclamam a inclusão de perdas financeiras e danos emocionais nas discussões.
Resposta das Autoridades
A Sabesp informou ter estruturado sua atuação em três etapas para acolher e reparar os danos. A companhia oferece medidas emergenciais, incluindo hospedagem e auxílio de R$ 5.000 para os moradores afetados.
Em relação às famílias que perderam suas casas, a Sabesp disse que apresentou soluções habitacionais específicas para 68 famílias, sendo que algumas já receberam escrituras de apartamentos, enquanto outras aguardam soluções.
A Defensoria Pública declarou que atua na assistência às vítimas desde o início e participa das negociações, garantindo que nenhum acordo seja formalizado sem a concordância dos interessados. O órgão ainda presta assistência jurídica a quem não tem advogado.
A Comgás, por sua vez, afirma manter diálogo constante com a comunidade e colaborar com os demais órgãos envolvidos para resolver as questões dos atingidos. O Ministério Público de São Paulo também está atuando em inquéritos civis para investigar a responsabilidade das concessionárias.











